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sexta-feira, 22 de março de 2013

Pobre Bento XVI


A simplicidade e a humildade serão, de fato, características marcantes do pontificado do papa Francisco. Praticamente toda reportagem faz questão de ressaltar esses pontos, que são, realmente, elogiáveis. No entanto, a maior parte dos relatos da imprensa também faz questão de estabelecer um antagonismo entre Francisco e seu antecessor, Bento XVI. Não basta saber que o anel do novo papa é de prata, banhado a ouro; é preciso citar o de Ratzinger, feito de ouro maciço. Elogia-se o papa que mantém a cruz peitoral de ferro dos seus tempos de bispo, ao mesmo tempo em que se lembra que Bento XVI usava cruzes de ouro. A impressão é de que se pretende levar o leitor a pensar “esse, sim, é um bom papa, não é como o anterior”, como se um conclave fosse um concurso de simpatia.
O mote começa a beirar o exagero quando cerimônias como a do início do pontificado são elogiadas por sua “simplicidade” em contraposição às liturgias de Bento XVI. Na verdade, a missa em quase nada foi diferente do que teria sido se o papa anterior a tivesse celebrado. É verdade que o novo pontífice não parece demonstrar o mesmo interesse pela liturgia que tinha Bento XVI, mas é preciso levar em consideração que Ratzinger jamais viu nas vestes litúrgicas um instrumento de ostentação e autopromoção. Sua visão da beleza como elemento apologético está bem documentada em sua obra. E, simplicidade por simplicidade, Bento sempre fez questão de usar adereços litúrgicos – cada um deles carregado de simbologia, ou seja, não se trata de mero enfeite – já usados por outros papas e pertencentes ao Vaticano, com custo zero.
Francisco se sente muito à vontade entre a multidão, mas é até injusto comparar um pontífice com décadas de experiência pastoral com um acadêmico introvertido que fez praticamente toda a sua carreira eclesiástica em universidades e na Cúria Romana. E, mesmo assim, Bento nunca fugiu dos fiéis ou nunca se mostrou avesso ao contato com as pessoas. O “abraço coletivo” que ganhou dos dependentes de drogas na Fazenda Esperança, em Guaratinguetá (SP), é um dos momentos mais tocantes de sua visita ao Brasil, em 2007.
A julgar pelas repetidas menções que faz a seu “amado predecessor”, muito provavelmente o próprio papa Francisco rejeitaria comparações de estilo com a intenção de diminuir Bento XVI ou fazê-lo parecer fútil com suas cruzes douradas e sapatos vermelhos. Mas é difícil imaginar que os elogios ao papa simples e humilde vão continuar quando ele começar a se pronunciar sobre os tais “temas polêmicos” a respeito dos quais a imprensa sempre espera, em vão, por mudanças. Aí se perceberá que Bento XVI e Francisco não são tão diferentes quanto parecem.

(Fonte: Marco Antonio Campos - Gazeta do Povo)


quinta-feira, 7 de março de 2013

REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (06/03/2013) - Tema: A RENÚNCIA DE BENTO XVI E O CONCLAVE


A RENÚNCIA DE BENTO XVI

A renúncia de um Papa está prevista no Código de Direito Canônico, no artigo 332.2, que estabelece que, para ter validade, é preciso que seja de livre e espontânea vontade e não precisa ser aceita por ninguém.
No dia 11 de fevereiro, assim se pronunciou Bento XVI: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas, a sé de Roma, a sé de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.”
Bento XVI se encontra na residência papal de verão, Castelgandolfo, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Roma. Enquanto estiver na residência de verão, o mosteiro Mater Ecclesiae, localizado no Vaticano, será reformado para receber Bento XVI. O mosteiro – o único que existe dentro do Vaticano – foi construído em 1992, sob instruções do Papa João Paulo II, que queria criar um espaço para aqueles que dedicam sua vida à contemplação.
O secretário do papa e prefeito regional da Casa Pontifícia, Georg Gänswein, e as quatro laicas consagradas da comunidade “Memores Domini” que cuidam do pontífice acompanharão Bento XVI durante sua estadia em Castelgandolfo e depois no mosteiro do Vaticano onde viverá.
A partir de agora, Bento XVI poderá ser chamado de: Papa Emérito Bento XVI, Pontífice Romano Emérito e Bispo Emérito de Roma. O nome Bento XVI será preservado e ficará com ele até a sua morte. Segundo o Vaticano, o título honorífico de “Sua Santidade” também permanecerá.
Bento XVI usará batina papal branca sem mantelete (uma espécie de capa que encobre os ombros) e deixará de usar os sapatos vermelhos, chamados de múleo, passando a utilizar calçados comuns.
O cargo de Papa é vitalício, por isso não estão previstos benefícios para Bento XVI, como uma aposentadoria. Além disso, o Papa não recebe oficialmente um salário – suas necessidades são cobertas pela Santa Sé. Como Bento XVI continuará sendo Bispo, ele terá acesso ao plano de saúde do Vaticano e provavelmente aos médicos que acompanham atualmente sua saúde. As necessidades materiais dos bispos e padres são cobertas pelas dioceses quando eles se aposentam. Perguntado se Bento XVI terá uma aposentadoria, o porta-voz do Vaticano não forneceu uma resposta clara, mas deu a entender que ele terá tudo o que precisa para viver. “Vamos garantir que tenha uma existência digna”, afirmou.

O COLÉGIO DE CARDEAIS

Os cardeais são a mais alta hierarquia na Igreja depois do Papa. Atualmente, há 209 cardeais, mas apenas os que têm menos de 80 anos no início do período de Sé Vacante podem votar e ser eleitos – o que reduz a 117 o número de votantes a partir de 28 de fevereiro, data marcada para a saída de Bento XVI. Entre eles, 67 foram nomeados por Bento XVI e 50 por seu antecessor, João Paulo II. O número máximo de cardeais eleitores é de 120.
 Não é necessário ser bispo para ser nomeado cardeal – por isso, a Constituição Católica determina que se o cardeal eleito como o novo papa ainda não for bispo, receba a ordenação logo após aceitar o cargo, para que possa assumir como Bispo de Roma.
Oficialmente, não há requisitos básicos para que uma pessoa seja eleita Papa – basta que ela seja um homem batizado e ter pleno uso da razão. Entretanto, na prática, há mais de 600 anos o eleito sempre tem sido um cardeal. Caso o cardeal eleito ainda não seja bispo, ele é ordenado logo após a eleição – já que o papa é o Bispo de Roma. O escolhido precisa ter o voto de dois terços dos cardeais votantes para ser eleito.
Os cargos nos Dicastérios da Cúria Romana cessam com o final do pontificado e só alguns Cardeais mantêm cargos especiais durante a Sede Vacante.
A administração dos bens temporais da Igreja está nas mãos do Cardeal Camerlengo, que é encarregado de destruir o Anel do Pescador e os selos papais a fim de que não seja expedido nenhum documento em nome do Pontífice anterior. Os aposentos papais são selados enquanto transcorre a eleição. O Camerlengo dirige as tarefas cotidianas do Palácio Apostólico, Palácio Lateranense e Castel Gandolfo. Na presente Sede Vacante, o Camerlengo é o Cardeal Tarcisio Bertone, nomeado nesta função por Sua Santidade Bento XVI em 2007.
O segundo cargo é o do Decano do Colégio dos Cardeais, que deve fazer a convocatória oficial dos Cardeais que são notificados sobre a morte ou a renúncia do Papa e lhes é pedido que se dirijam a Roma para a eleição do seu sucessor. Esta convocatória realizou-se no primeiro dia da Sede Vacante, 01 de março, pelo Cardeal Decano Angelo Sodano, eleito neste cargo em 2005 para substituir Bento XVI, depois de sua eleição papal. O Cardeal Decano também tem como função perguntar ao Papa eleito se aceita esta responsabilidade. Como o Cardeal Sodano não pode estar no Conclave devido a sua idade, esta última tarefa será cumprida pelo Cardeal Giovanni Battista Re.

PRÉ-CONCLAVE

Antes do conclave acontecer, são realizadas reuniões entre os cardeais chamadas de “Congregações Gerais”.
Todos os Cardeais poderão participar das Congregações, até os que já tenham mais de 80 anos. Nas Congregações os Cardeais se reunirão "para conversar, para colocar em comum, para começar justamente a fazer uma grande tomada de consciência da situação da Igreja, das realidades que estão diante de nós, do que a Igreja precisa enfrentar, e naturalmente, no meio de todas estas considerações, vai se esculpindo também o perfil daquele que deve assumir o papel de sucessor de Pedro". Durante as Congregações será definida a data de início do conclave.

O CONCLAVE

Durante o conclave, os cardeais permanecem todo o período da eleição entre uma residência do Vaticano (Casa Santa Marta) e a Capela Sistina onde votam e não podem ter contato com o mundo exterior e com os meios de comunicação.
No 1° dia de votação, há apenas uma sessão. Nos dias seguintes, os cardeais votam quatro vezes: duas na parte da manhã e duas na parte da tarde. O candidato deve ter, pelo menos, 2/3 dos votos e de acordo com as novas normas estabelecidas pelo Papa João Paulo II em 1996, se não há um eleito após três dias de votação, se realizará uma pausa de um dia; ao fim de outros sete escrutínios ocorre outra pausa de um dia; se o impasse se mantém após mais sete votações, que acontecem em três dias, a eleição faz-se por maioria simples.
Para votar, os cardeais preenchem um boletim retangular, que traz impressa a menção ‘Eligo in Summum Pontificem’ (elejo como Sumo Pontífice) na parte superior. Eles preenchem o boletim com caligrafia diferente, para que os votos não sejam identificados.
Ao entregar o seu voto, os cardeais eleitores, diante de uma pintura enorme do Juízo Universal, pronunciam o juramento: “Invoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me há de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito”.
Outros três cardeais têm a missão de recolher os votos dos prelados doentes e existem ainda três revisores.
Depois de cada sessão, as fichas dos votos e “os escritos de qualquer espécie relacionados com o resultado de cada escrutínio” são queimados com uma mistura de produtos químicos: se o fumo que sai da chaminé da Capela Sistina for negro, significa que não houve acordo entre os Cardeais; se for branco, que foi escolhido o novo Papa.
Tendo um eleito, ele deve responder a duas questões do cardeal Decano: “Aceitas a tua eleição, canonicamente feita, para Sumo Pontífice?” e “Como queres ser chamado?”. Esse é o último ato formal do Conclave.
O novo Papa é conduzido à ‘sala das lágrimas’ para vestir pela primeira vez os paramentos papais, que está disponível em três medidas.
Com a escolha do novo nome, os cardeais um a um prestam homenagem e apresentam a sua obediência ao novo Papa.
Os fiéis ficam sabendo do novo sucessor com o anúncio, feito pelo cardeal protodiácono, Dom Jean-Louis Tauran, que pronunciará as palavras solenes: “Habemus Papam”.
Além de anunciar o novo Papa, o Cardeal Dom Jean-Louis também impõe o pálio, uma insígnia litúrgica, no novo Papa na missa de início de pontificado.
Segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, a Igreja Católica deve ter um novo Papa até a Páscoa, no próximo dia 31 de março.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

As pessoas querem Deus!


"Vós fizestes nosso coração para Vós, ó meu Deus, dizia Santo AgostInho, e nosso coração estará inquieto até que repouse em Vós".
Esta sede profunda da alma humana precisa ser saciada. E para que isso aconteça é necessário o esforço de toda a Igreja de Cristo e de cada um de nós em particular.
Vemos hoje muitas preocupações temporais ocuparem lugar prioritário em nossas comunidades, erroneamente. A evangelização precisa, mais do que nunca, ser o foco de nossos esforços, pois no mundo terrivelmente secularizado onde vivemos, é gritante a necessidade de anunciar a Verdade de Cristo a tantas ovelhas que vagam sem pastor.
Por mais que uma vida em Cristo seja ridicularizada perante a sociedade em que vivemos, é perceptível a sede cada vez maior das pessoas por “algo maior”, algo que as preencha verdadeiramente e dá sentido as suas vidas. Esse “algo”, na verdade, é Alguém: Nosso Senhor Jesus Cristo!
Gastemos nossa vida no anúncio da Verdade, pois assim nossa vida dará frutos eternos e sua fecundidade salvará almas para Deus.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Diga sim ao seu chamado!

A vocação é o chamado de Deus a cada um em particular. O mês de agosto é considerado pela Igreja o mês das vocações. É um tempo oportuno para refletirmos sobre esta missão especial para a qual Deus nos escolheu.
É necessário responder a esse convite sem medo, com a consciência de que somente uma resposta cheia de amor e generosidade será capaz de nos realizar plenamente enquanto criaturas, filhos de Deus.
Não tenha medo de dizer SIM! Deus pode e quer operar maravilhas através da sua vida!

Abaixo, postamos um Especial, produzido pela Canção Nova, que nos fala mais profundamente sobre as diversas vocações. Não deixe de assistir!

1ª parte:

2ª parte:

3ª parte:


terça-feira, 10 de julho de 2012

Juventude x Silêncio?


Tenho percebido, nos últimos tempos, um pensamento entre os católicos que é, no mínimo, leviano.
Associam-se a juventude com barulho e agitação. Tanto no que diz respeito ao que os jovens fazem na Igreja, quanto ao que a Igreja tem de fazer para atrair o jovem.
Mas tenho notado que a realidade, na verdade, é outra.
Uma Missa com muitos instrumentos, dança e teatro, pode até ser que, num primeiro momento, agrade a alguns jovens. Mas quando estes se decidem por buscar uma espiritualidade mais católica, mais madura, recorrem às experiências de silêncio, contemplação, decoro e organização.
Batucada pode até parecer legal, mas o que o jovem realmente quer na Igreja é se encontrar com Deus de uma forma pessoal. O perigo de fazer da Santa Missa uma “bagunça jovem” é que você pode até atrair alguns, mas dificilmente com tambores, fitas coloridas e batidas eletrônicas conseguirá levar esses jovens a uma verdadeira experiência com Deus e, a partir daí, a uma conversão de vida.
A Igreja tem sim que investir em eventos para atrair os jovens: louvores, shows, vigílias, encontros... O que ela não precisa e não deve é criar uma “liturgia jovem”, desobediente, que afronta as normas litúrgicas e destrói o decoro e a contemplação.
Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nossa alma busca o silêncio.
Já dizia Santo Ambrósio: "O demônio ama o barulho, Cristo busca o silêncio." É ilusão achar que fazendo barulho levaremos os jovens para Deus. No máximo, os traremos para dentro da Igreja, por pouco tempo. Pois quando o barulho de outra igreja for melhor, irão para lá.
O verdadeiro “barulho” que o jovem procura é o testemunho de vida dos sacerdotes, dos pais de família, é a obediência a Santa Igreja de Deus, é a profunda adoração ao Deus Vivo e Verdadeiro.
Enquanto maquiamos a nossa Igreja numa tentativa frustrada de torná-la mais bela e atraente, a alma da juventude grita, clamando conhecer a verdadeira Igreja de Cristo. Sem máscaras, sem rótulos, linda, sóbria e solene, como sempre foi.
Querem atrair os jovens para a Igreja? Deixem de falar um pouco de políticos nas homilias e falem da vida dos santos. Exponham Jesus Sacramentado sobre os altares. Falem abertamente sobre a santidade, a salvação.
Só existe uma forma de fazer a juventude permanecer na Igreja: é fazê-la perceber que Cristo é o sentido de suas vidas. E para isso precisamos mais do que nunca sermos católicos, obedientes à liturgia e apaixonados pela Eucaristia.

(André Krupp)


quinta-feira, 28 de junho de 2012

O outro lado de Bento XVI

Amanhã celebraremos a solenidade de São Pedro e São Paulo e, também, o Dia do Papa.
Assista a esse pequeno documentário. Ele mostra alguns bastidores da vida de Bento XVI e todo seu empenho na missão de apascentar as ovelhas de Cristo na Terra. Oremos sempre pelo nosso Santo Padre, um homem apaixonado pela Verdade.
Vale a pena assistir!



Amar a Esposa de Cristo


“Todos os que no mundo inteiro tem o nome de cristão e conhecem verdadeiramente a fé cristã, sabem e creem que São Pedro, o príncipe dos apóstolos, é o pai de todos os cristãos e o primeiro pastor, depois de Cristo, e que a Santa Igreja Romana é a mãe e mestra de todas as Igrejas”.
São Gregório Magno
Papa e Doutor da Igreja


A Igreja está fundamentada em Cristo e sobre os apóstolos e profetas (Ef 2,20; Ap 21,14), tendo São Pedro Apóstolo– o primeiro papa – e São Paulo Apóstolo o primeiro e grande missionário como também o maior teólogo da Igreja de todos os tempos. A festa, ou melhor, a solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo no dia 29 de junho é nossa celebração de agradecimento a Jesus Cristo pelo Seu grande presente para nós e para Sua santa Igreja. Nesta data também comemoramos o Dia do Papa, o nosso amado Pastor Universal.
A Igreja é o corpo de Cristo (Ef 1,22-23) e Sua noiva (Ef 5, 25 – 27; Ap 22,17). Ela foi fundada pelo próprio Jesus (Mt 16, 18: At 4,11). Ela pertence ao Senhor Jesus, e está sendo construída por Ele (Mt 16,18). Jesus chama a Igreja de “Minha Igreja”. Ele deu a Pedro, e aos seus sucessores, as chaves da Igreja e, consequentemente, as chaves do reino dos céus (Mt 16,19). Ela tem a autoridade de Jesus par a ligar e desligar, e para atacar e derrubar as portas do inferno (Mt 16, 18 – 19). É a “família de Deus” (Ef 2,19), bem como “a coluna e o sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15). É a Igreja povo de Deus (1 Pd 2,9.10).
A Igreja é “a plenitude d’Aquele que preenche o universo em todas as suas partes” (Ef 1,23). Nosso Senhor exalta a Igreja por se identificar com ela. Ele proclama que, se ouvirmos a Igreja, nós ouviremos a Ele (Lc 10, 16), e, se a perseguimos, estaremos perseguindo a Ele (At 9,4). Considerando o que o Senhor Jesus nos revelou sobre Sua Igreja, devemos amá-la como Jesus o faz, e dar nossa vida por ela (Ef 5,25).
“Mas para que não nos deixemos enganar pelo anjo das trevas, transfigurado em anjo da luz, seja esta a suprema lei do nosso amor, amar a Esposa de Cristo tal como Cristo a quis e a adquiriu com seu sangue. Portanto não só devemos amar sinceramente os sacramentos, com que a Igreja, mãe extremosa, nos sustenta, e as solenidades com que eleva as nossas almas às coisas do céu, mas também os sacramentos e os vários exercícios de piedade com que suavemente impregna do Espírito de Cristo e conforta as almas. Realmente não há coisa mais gloriosa, mais honrosa, mais nobre, que fazer parte da Igreja, santa, católica, apostólica, Romana, na qual nos tornamos membros de tão verdadeiro Corpo; nos governa uma tão excelsa Cabeça; nos inunda o mesmo Pão dos Anjos nos alimenta neste exílio terreno, até que finalmente vamos gozar no céu da mesma bem-aventurança sempiterno” (Papa Pio XII. Encíclica Mystici Corporis).
 A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo no século XXI é parte fundamental da religião do amor, da revolução mística abissal e do ecumenismo evangélico e social.
O século XXI é considerado o século da revelação da verdade, e a Igreja é o ícone da verdade libertadora de todo o sistema de escravidão e perdição.
Amar Jesus Cristo é amar a Sua Igreja e caminhar com ela na realização da sua missão evangelizadora do Reino de Deus.

(Pe. Inácio José do Vale, professor de História da Igreja)


segunda-feira, 28 de maio de 2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Por uma liturgia bela!



O valor da beleza como componente intrínseco da liturgia da Igreja parece estar esquecido por muitos. O que vemos, não raramente, são discursos sem fundamento que acusam a busca pela beleza como mera superficialidade e esteticismo, ou ainda, como uma manifestação contrária à pobreza ensinada e vivida por Cristo. Os que defendem esse ponto de vista tendem a uma “simplorização” do sagrado, recusando o “belo” apoiados nos argumentos já citados.
Na verdade, a Santa Igreja sempre defendeu a beleza litúrgica como sendo legítima. O próprio papa Bento XVI em seu encontro com os artistas, em 2009, afirmou que “a autêntica beleza abre o coração humano ao desejo de ir para o Alto, para o Além de si”. Dessa forma, não podemos aceitar o argumento de que a busca pela beleza seja simples superficialidade, que em nada colabora para uma verdadeira participação no Mistério celebrado. A beleza tem a capacidade de expressar, ainda que de maneira imperfeita, aquilo que transcende a nossa humanidade, elevando-nos assim à esfera do sagrado. "O caminho da beleza nos conduz, portanto, a colher o Tudo no fragmento, o Infinito no finito, Deus na história da humanidade”, afirmou o Santo Padre na mesma ocasião.
Acusar a busca pela beleza como esteticismo também se constitui um erro, pois o esteticismo tem a apreciação da estética como seu fim último, o que não é o caso da beleza litúrgica. Esta, não possui a beleza como um fim em si mesma, mas sim como um autêntico caminho para outro fim: o próprio Deus. Diz o escritor católico alemão Dietrich von Hildebrand: “Se alguém se recusasse a ir à missa porque a igreja é feia e a música medíocre, seria culpado de esteticismo, pois estaria substituindo o ponto de vista estético ao ponto de vista religioso. Antítese do esteticismo é apreciar a elevada função da beleza na religião, é compreender o legítimo papel que lhe cabe desempenhar no culto e o desejo das pessoas religiosas em revestir de grande beleza tudo o que se refere ao culto divino. Esta apreciação justa da beleza é até um crescimento orgânico da reverência, do amor a Cristo, do ato mesmo de adoração”.
Do mesmo modo, podemos facilmente perceber que a busca pela beleza na liturgia e nos templos não se opõe à pobreza evangélica. O próprio São Francisco de Assis, que praticou a pobreza com toda austeridade, sempre estimou e incentivou a beleza das igrejas, dos paramentos e objetos litúrgicos. Estaria, então, agindo de maneira contraditória? Certamente que não. A pobreza evangélica não descarta o zelo litúrgico. A pobreza evangélica descarta o consumismo e a idolatria aos bens.
Enfim, o Santo Padre Bento XVI, assim como seu predecessor, o Beato João Paulo II, tem insistido em reafirmar a válida colaboração da beleza litúrgica para uma melhor participação do povo de Deus no Mistério celebrado. Sendo assim, como a mulher de Betânia que derramou perfume aos pés de Jesus, não temamos empenhar nossos esforços na promoção de uma liturgia bela e agradável a Nosso Senhor.

terça-feira, 17 de abril de 2012

O dom de línguas em Pentecostes


No tempo pascal fazemos memória da ressurreição e ascensão do Senhor, mas também nos preparamos para a grande festa de Pentecostes, onde o Consolador desce sobre sua Igreja enchendo-a de força e de dons.
Vamos ler um trecho do capítulo segundo dos Atos dos Apóstolos sobre esse acontecimento:

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.” (At 2, 1-13)

Até a Solenidade de Pentecostes, publicaremos aqui alguns textos tratando do assunto. Neste post, nos prenderemos no que diz respeito ao dom de línguas derramado em Pentecostes.
Nos últimos tempos, tem-se confundido o dom de línguas (capacidade de falar e compreender outros idiomas sem tê-los aprendido anteriormente) com a prática da glossolalia (capacidade de falar e compreender uma língua inexistente, irracional).
Não queremos, neste texto, avaliar a veracidade e/ou a eficácia da glossolalia na vida da Igreja, pois é um fenômeno relativamente novo dentro do catolicismo, difundido a partir da década de 70, que ainda necessita de estudo e aprofundamento por parte do Magistério da Igreja.
O que queremos, então, é tratar do dom de línguas manifestado no dia de Pentecostes e o seu valor teológico.
Quando o Espírito Santo desceu sob a forma de línguas de fogo, os apóstolos começaram a falar em diversas línguas, como nos mostra o texto bíblico:

“Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. [...] Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? [...] judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!” (idem)

Como podemos ver, não existe nenhum relato de “oração em línguas” (como também é conhecida a glossolalia) nesta passagem bíblica, mas sim de um dom concedido aos apóstolos de que falassem nas diferentes línguas do povo de Deus que ali se encontrava. Vejamos o que nos diz a Tradição da Igreja sobre esse trecho de Atos dos Apóstolos:

"No dia de Pentecostes, teve a sua mais exata e direta confirmação aquilo que fora anunciado por Cristo no discurso da despedida; em particular, o anúncio de que estamos a tratar «O Consolador [...] convencerá o mundo quanto ao pecado». Nesse dia, sobre os Apóstolos congregados no mesmo Cenáculo em oração, juntamente com Maria, Mãe de Jesus, desceu o Espírito Santo prometido, como lemos nos Atos dos Apóstolos: «Todos ficaram cheios de Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que se exprimissem» (cf. At 2,4) «reconduzindo desse modo à unidade as raças dispersas e oferecendo ao Pai as primícias de todas as nações»” (Santo Ireneu de Lyon, Contra as Heresias III)

“Aquele vento purificava os corações da palha da carne. Aquele fogo consumia o fogo da velha concupiscência. Aquelas línguas faladas pelos que estavam repletos do Espírito Santo prefiguravam a futura Igreja, que haveria de estar entre as línguas de todos os povos.” (Santo Agostinho, Sermão 271)

Podemos perceber também que os apóstolos não “oravam” mas sim “pregavam” as maravilhas de Deus em diferentes línguas.
Este fenômeno ocorreu para que se manifestasse a catolicidade da Santa Igreja, ou seja, a Igreja de todas as nações.

"A Igreja é católica, porque o Evangelho se destina a todos os povos e por isso, já desde o início, o Espírito Santo faz com que ela fale todas as línguas" (Papa Bento XVI, Solenidade de Pentecostes, 27 de maio de 2007)

Este fenômeno ocorrido em Pentecostes torna viva no seio da Igreja a missão de Jesus de fazer novas todas as coisas. As diferentes línguas que em Babel foram castigo pela ambição do povo, agora tornam-se sinal da presença de Deus.

"Também em Babel as línguas foram divididas! Exatamente! O que se passa no Pentecostes é exatamente o contrário do que se passou em Babel. Em Babel, por orgulho, foram as línguas dos homens que se dividiram, de modo que eles não se compreendiam mais e foram, por isso, divididos, separados, dispersos. Em Pentecostes é o dom de Deus que se divide para estender-se a cada um e reuni-los a todos: a partir desse momento os homens que receberam o Espírito Santo anunciam todos a mesma palavra, a Palavra de Deus, e fazem-se compreender por todos os homens pois falam todas as línguas. As barreiras lingüísticas são ultrapassadas pela Palavra do Deus Único, tornada compreensível a todos pelo dom das línguas.” (Rito Bizantino)

“O Espírito Santo [...] no dia de Pentecostes desceu sobre os discípulos para permanecer eternamente com eles; que a Igreja foi publicamente manifestada ante a multidão; que pela pregação se iniciou a difusão do Evangelho entre as nações; que enfim foi prefigurada a união dos povos na catolicidade da fé mediante a Igreja da Nova Aliança que fala todas as línguas, compreende e abraça na caridade todos os idiomas e assim supera a dispersão de Babel” (Concilio Vaticano II, Decreto Ad Gentes)

Após o Pentecostes, o dom de línguas tornou-se muito comum entre aqueles que eram responsáveis por pregar o Evangelho. Assim, o povo que primeiramente conhecera a Verdade conseguia anunciar o Evangelho de Cristo a povos de diferentes línguas.

“Porquanto o dom de línguas devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para ensinar pelo mundo a fé de Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos anunciassem a palavra de Deus, o Senhor deu-lhes o dom de línguas, para que a todos ensinassem, não de modo que falando uma só língua fossem entendidos por todos, como alguns dizem, mas sim, bem literalmente, de maneira que nas línguas dos diversos povos, falassem as de todos. Pelo qual disse o Apóstolo: Dou graças a Deus porque falo as línguas de todos vós (1Co 14,18). E em Atos 2,4, se disse: Falavam em várias línguas, etc. E na Igreja primitiva muitos alcançaram de Deus este dom. [...] Pois os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, preferiam esse dom que o da profecia. E aqui por falar em língua, o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la, esse tal fala em língua.” (São Tomás de Aquino, Summa Teológica)

Alguns santos, como São Francisco Xavier, Santo Antônio, São Vicente Ferrer, São Francisco Solano, em sua maioria missionários e pregadores, receberam de Deus esse dom para anunciar por todo o mundo. Em diversas ocasiões, pregaram a grandes multidões de pessoas de nacionalidades diferentes, sendo entendidos por todos como se falassem em sua própria língua de origem.
Quanto menos necessário se torna este dom para o anúncio da Palavra, menos teremos relatos dele, como nos explica Santo Agostinho:

"Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas , saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou." (Santo Agostinho, Homilias)

Sendo assim, queridos irmãos e irmãs, oremos a Deus para que, como em Pentecostes, o Espírito Santo desça sobre a Igreja para que ela continue anunciando as maravilhas de Deus para todos os povos e em todas as línguas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A santa pobreza


Para a grande maioria da população mundial a pobreza é um mal que deve ser combatido. Existe sim essa pobreza que traz miséria, doenças, violência e morte, e ela realmente deve ser combatida. Porém, existe também uma outra pobreza que santifica o mundo: a pobreza cristã. A pobreza do Cristo.

Muitos e muitos cristãos ao longo de toda a história de nossa Igreja largaram tudo que tinham para viver somente da Divina Providência. E esta atitude de entrega é, para muitos, assustadora. “Largar minha estabilidade financeira para servir a Deus?”, “Abrir mão do conforto da minha casa, do meu carro, das minhas viagens?”, “Eu não tenho que ser pobre para servir a Deus”, “Deus não quer isso para ninguém”, dizem as pessoas. Mas sim, Deus quer isso. Não para todos, mas para uma parcela de seus filhos, sim! É Ele quem convida e capacita para a experiência da pobreza. Uma pobreza material e uma pobreza de coração, que conduz à verdadeira humildade. Reconhecer-se pobre diante de Deus é, na verdade, o primeiro passo para conseguirmos viver a pobreza material, pois a humildade conduz à confiança no Criador.

Realmente assusta um pouco a ideia de viver na pobreza pelo resto da vida, mas não há riqueza alguma que pague a sensação de acordar pela manhã e saber que, com ou sem dinheiro no bolso, hoje servirei a Deus.

Deus nunca nos abandona. E a cada dia nos surpreende mais com sua providência. Aumentando a nossa fé e o nosso amor por esse “estilo de vida”.

Que sempre existam no mundo aqueles que servem a Deus com sua pobreza. E que a Igreja sempre Santa seja cada dia mais pobre para a honra e a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo Deus, se fez pobre para enriquecer o mundo com sua pobreza.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jovens Eucarísticos


"E quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a mim” (João 12,32)

Cristo Mestre nesta afirmação já se referia ao momento em que seria levantado no madeiro da Cruz. Hoje, a cada Missa, ele também é elevado, pois a Missa é o próprio Calvário. Dessa forma, podemos antever que a afirmação de Jesus é uma profecia profundamente eucarística.

Essas palavras de Jesus precisam fazer brotar em nosso coração o profundo desejo de adorá-Lo sob o véu do Sacramento. E, de fato, é no Sacramento da Eucaristia que Jesus atrairá a sua juventude. O Senhor reunirá a juventude não apenas em espaços físicos, mas sim a seus pés, formando um povo santo, com uma fé ousada, uma certeza íntima de que Ele está vivo. Vivo!

Jesus, no véu do Sacramento, deseja uma juventude adoradora e a cada vez em que é elevado sobre o altar, renova esta maravilhosa profecia.

Atendamos ao profundo convite de Jesus! Doemos nossa vida em adoração ao seu Santíssimo Corpo e Sangue, pois Ele é a única e verdadeira alegria da nossa juventude.

sábado, 23 de outubro de 2010

Nossa nobre família


Sim. Nós, batizados, temos a honra de poder afirmar que fazemos parte da família mais nobre existente sobre a Terra: a Santa Igreja. Nossa família teve como genitor o próprio Deus, e nasceu do coração de Deus.
Desde então, contamos sempre com nossos queridos e abençoados papas, estabelecidos pelo Criador como chefes dessa imensa família. Eles nos orientam, exortam, por vezes repreendem. São os nossos pais espirituais e por isso lhes honramos com todo amor e obediência.
Ao olharmos para o passado, só nos cabe sentir orgulho e emoção ao observar nossos irmãos. Quantos deles chegaram mesmo a derramar seu sangue para defender nossa família e nosso grande Deus. Quantos deles gastaram suas vidas a serviço da caridade fraterna. Quantos deles enfrentaram reis, governos, nações inteiras para preservar a verdade. Quantos tiveram uma vida sem mancha, consagrando-se ao Divino Amor e fazendo-se, assim, um gérmen de transformação no seio da humanidade. Sim. Temos os santos e santas como nossos antepassados nesta nobre família. Que alegria podermos contemplar e recordar suas trajetórias! Quanto orgulho seus exemplos nos dão!
Obviamente, nossa família também possui uma mãe. Aliás, a mais bela de todas as mães, a Virgem Maria. A sua maternidade foi um presente deixado a nós pelo próprio Deus. Nossa mãe é doce, é forte, é obediente, é corajosa, temível como um exército em ordem de batalha. Ela é Maria, a Virgem vestida de sol.
Somos uma família, a mais nobre família. Somos a Esposa do Cordeiro.
Que saibamos honrar esta pertença e lutar para que nossa santidade faça o brilho desta família resplandecer neste mundo de trevas.
“Realmente não há coisa mais gloriosa, mais honrosa, mais nobre, que fazer parte da Igreja, santa, católica, apostólica, romana.” (Papa Pio XII)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A identidade perdida


Fazer parte do Corpo Místico de Deus é algo incomparavelmente grande. Mas quantos católicos sabem disso? Vejo tantas pessoas nas Missas falando sobre tantos assuntos enquanto os sacramentos são ministrados... Vejo nas ruas a falta de empolgação das pessoas ao dizerem: “eu sou católico”.
Fico triste em saber que durante muito tempo o ateísmo e a mídia secular transfiguraram a imagem da Igreja em algo simplório, desempolgante, sem vida. Na visão de tantos católicos a Igreja nada mais é do que uma instituição de utilidade pública. Cuidando dos pobres e das crianças, fazendo passeatas e abaixo-assinados. Ou então veem a Igreja como a chata, a retrógrada que luta contra camisinha, contra o casamento gay e não apóia a legalização do aborto, mas está cheia de pedófilos e homossexuais...
O pior é saber que, de certa forma, a Igreja, durante muito tempo, não se manifestou de forma eficaz contra esta distorção de imagem, permitindo que esta visão popular da Igreja fosse aderida até mesmo por parte do clero. Assim se promoveu, lenta e gradativamente (ainda que de forma involuntária) uma desmistificação da Esposa de Cristo e, por consequência, uma supervalorização política.
Nós não somos uma ONG, tampouco um grupo moralista. Lutamos sim pela vida e estamos sempre ao lado dos mais necessitados, mas somos um povo santo e adorador. Somos a Igreja que construiu a civilização ocidental. Incontáveis cidades, bairros, ruas, praças tem nomes de nossos grandes santos. Nossas festas tornaram-se feriados internacionais. Temos dois milênios de história. Temos um Deus vivo que se manifesta diariamente através de nossos sacerdotes, curando, renovando, transformando vidas. Criamos escolas, faculdades. Construímos hospitais.
Não somos mais uma igreja. Somos a Igreja de Cristo. Fundada e mantida pelo Seu sacrifício e ressurreição. A verdade que transmitimos é tão real que torna infalível nossa doutrina.
Nós somos católicos não para militar ou distribuir cestas básicas. Somos católicos porque amamos a Deus e queremos fazer a Sua vontade. Somos católicos porque nossa Santa Igreja tem história, tem Tradição. Somos católicos porque aqui está a Verdade em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Nós somos a Igreja de Deus, o Corpo Místico de Jesus, a Esposa do Cordeiro vestida de branco em seu eterno banquete de núpcias. Somos católicos apostólicos romanos. Será que não está na hora de resgatar essa identidade?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lançando as Redes


Nos últimos dias proibiram a exibição de programas humorísticos contendo qualquer tipo de piada, deboche, ou algo do tipo sobre os candidatos das próximas eleições (algo ridículo para um país que tem vários comediantes candidatos e que fazem de suas campanhas eleitorais verdadeiros programas de humor).
Mas isso levanta uma questão: qual o tamanho da influência de uma arte bem feita na vida das pessoas? Os Beatles moldaram o pensamento uma geração, Star Wars conquistou milhões de fãs e Harry Potter fez com que uma boa parcela das crianças do mundo quisessem aprender bruxaria. E aí eu pergunto: onde estão os romances católicos cheios de aventuras e personagens marcantes para encantar a nossa juventude? Onde estão os filmes que mostram de forma clara o amor de Deus, as belezas da Igreja?
Hoje vivemos em uma época onde as portas estão abertas para o leigo poder operar nas frentes de evangelização ao lado dos diáconos e sacerdotes. E, sem dúvida alguma, a arte e a comunicação são os maiores instrumentos que temos para a execução deste trabalho. Devemos mesmo montar rádios, TV’s, revistas, jornais, sites que revelem a soberania e a misericórdia de Deus. Mas devemos também investir “pesado” na arte, uma arte séria, focada. Não só algo bonito de se ver, mas uma arte que revele a Verdade, que desperte nas pessoas a vontade de ser, que não sirva somente para encantar, mas para seduzir, para trazer almas para Deus.
Artistas e comunicadores, não gastem seu tempo e seu talento com outras coisas! Coloquem seus dons a serviço do Reino. Deus é quem vos convoca. A Igreja lhes chama a atuar. Nossa juventude precisa conhecer Deus através da arte. Faça parte desta messe. Não por dinheiro ou por fama, mas por Amor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Por que o TAU?


Nós, da Revista CATÓLICOS, utilizamos em nossa logomarca o símbolo do Tau, muito empregado nas Ordens Franciscanas. Mas qual seu significado?
Conheça agora um pouco mais sobre o símbolo da Revista CATÓLICOS!
O Tau é a última letra do alfabeto hebraico;
a décima nona letra do alfabeto grego;
sinal bíblico usado pelo profeta Ezequiel:
“Chamou o Senhor Deus o homem vestido de linho branco, que trazia à cintura os instrumentos de escriba e lhe disse: percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com um “T” na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem.” (Ez 9,3-4)
Todo aquele que tinha sido assinalado com o “T” foi poupado do extermínio.
O Papa Inocêncio III (1160-1216) explica o sentido do Tau: “Tem a forma de Cruz; quem o traz consigo, vive sua fé.”
São Francisco teve grande veneração por esta letra, pois lhe lembrava o grande amor de Cristo por nós.

TAU, SINAL BÍBLICO
Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem”. O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar significa lacrar, fechar dentro de um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.

O TAU FRANCISCANO
O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal da luz, vida e sabedoria.

O TAU COMO IDEAL
No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1.200 prelados, 412 bispos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam São Domingos e São Francisco. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no luxo e no poder temporal. Então, o Papa Inocêncio III recordou e lançou novamente o signo do TAU de Ezequiel 9, 1-7. Queria honrar novamente a cristandade com um projeto eclesial de motivação e superação. Era preciso uma reforma de costumes. Uma vida vivida numa dimensão missionária mais vigorosa sob o dinamismo de uma contínua conversão pessoal. São Francisco saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação papal e andou marcando os irmãos com o TAU, vibrante de cuidado, ternura e misericórdia aprendida de seu Senhor.

USAR O TAU É LEMBRAR O SENHOR
Muita gente usa o Tau. Não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda um caminho de salvação que vai sendo feito ao seguir, progressivamente, o Evangelho. Usar o TAU é colocar a vida no dinamismo da conversão: Cada dia devo me abandonar na Graça do Senhor, ser um reconciliado com toda a criatura, saudar a todos com a Paz e o Bem. Usar o TAU é configurar-se com aquele que um dia ilumina as trevas do nosso coração para levar-nos à caridade perfeita. Usar o TAU é transformar a vida pela Simplicidade, pela Luz e pelo Amor. É exigência de missão e serviço aos outros, porque o próprio Senhor se fez servo até a morte e morte de Cruz.”
(Fonte: Site www.cantodapaz.com.br/Frei Vitório Mazzuco, OFM)