quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A identidade perdida


Fazer parte do Corpo Místico de Deus é algo incomparavelmente grande. Mas quantos católicos sabem disso? Vejo tantas pessoas nas Missas falando sobre tantos assuntos enquanto os sacramentos são ministrados... Vejo nas ruas a falta de empolgação das pessoas ao dizerem: “eu sou católico”.
Fico triste em saber que durante muito tempo o ateísmo e a mídia secular transfiguraram a imagem da Igreja em algo simplório, desempolgante, sem vida. Na visão de tantos católicos a Igreja nada mais é do que uma instituição de utilidade pública. Cuidando dos pobres e das crianças, fazendo passeatas e abaixo-assinados. Ou então veem a Igreja como a chata, a retrógrada que luta contra camisinha, contra o casamento gay e não apóia a legalização do aborto, mas está cheia de pedófilos e homossexuais...
O pior é saber que, de certa forma, a Igreja, durante muito tempo, não se manifestou de forma eficaz contra esta distorção de imagem, permitindo que esta visão popular da Igreja fosse aderida até mesmo por parte do clero. Assim se promoveu, lenta e gradativamente (ainda que de forma involuntária) uma desmistificação da Esposa de Cristo e, por consequência, uma supervalorização política.
Nós não somos uma ONG, tampouco um grupo moralista. Lutamos sim pela vida e estamos sempre ao lado dos mais necessitados, mas somos um povo santo e adorador. Somos a Igreja que construiu a civilização ocidental. Incontáveis cidades, bairros, ruas, praças tem nomes de nossos grandes santos. Nossas festas tornaram-se feriados internacionais. Temos dois milênios de história. Temos um Deus vivo que se manifesta diariamente através de nossos sacerdotes, curando, renovando, transformando vidas. Criamos escolas, faculdades. Construímos hospitais.
Não somos mais uma igreja. Somos a Igreja de Cristo. Fundada e mantida pelo Seu sacrifício e ressurreição. A verdade que transmitimos é tão real que torna infalível nossa doutrina.
Nós somos católicos não para militar ou distribuir cestas básicas. Somos católicos porque amamos a Deus e queremos fazer a Sua vontade. Somos católicos porque nossa Santa Igreja tem história, tem Tradição. Somos católicos porque aqui está a Verdade em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.
Nós somos a Igreja de Deus, o Corpo Místico de Jesus, a Esposa do Cordeiro vestida de branco em seu eterno banquete de núpcias. Somos católicos apostólicos romanos. Será que não está na hora de resgatar essa identidade?

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lançando as Redes


Nos últimos dias proibiram a exibição de programas humorísticos contendo qualquer tipo de piada, deboche, ou algo do tipo sobre os candidatos das próximas eleições (algo ridículo para um país que tem vários comediantes candidatos e que fazem de suas campanhas eleitorais verdadeiros programas de humor).
Mas isso levanta uma questão: qual o tamanho da influência de uma arte bem feita na vida das pessoas? Os Beatles moldaram o pensamento uma geração, Star Wars conquistou milhões de fãs e Harry Potter fez com que uma boa parcela das crianças do mundo quisessem aprender bruxaria. E aí eu pergunto: onde estão os romances católicos cheios de aventuras e personagens marcantes para encantar a nossa juventude? Onde estão os filmes que mostram de forma clara o amor de Deus, as belezas da Igreja?
Hoje vivemos em uma época onde as portas estão abertas para o leigo poder operar nas frentes de evangelização ao lado dos diáconos e sacerdotes. E, sem dúvida alguma, a arte e a comunicação são os maiores instrumentos que temos para a execução deste trabalho. Devemos mesmo montar rádios, TV’s, revistas, jornais, sites que revelem a soberania e a misericórdia de Deus. Mas devemos também investir “pesado” na arte, uma arte séria, focada. Não só algo bonito de se ver, mas uma arte que revele a Verdade, que desperte nas pessoas a vontade de ser, que não sirva somente para encantar, mas para seduzir, para trazer almas para Deus.
Artistas e comunicadores, não gastem seu tempo e seu talento com outras coisas! Coloquem seus dons a serviço do Reino. Deus é quem vos convoca. A Igreja lhes chama a atuar. Nossa juventude precisa conhecer Deus através da arte. Faça parte desta messe. Não por dinheiro ou por fama, mas por Amor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Por que o TAU?


Nós, da Revista CATÓLICOS, utilizamos em nossa logomarca o símbolo do Tau, muito empregado nas Ordens Franciscanas. Mas qual seu significado?
Conheça agora um pouco mais sobre o símbolo da Revista CATÓLICOS!
O Tau é a última letra do alfabeto hebraico;
a décima nona letra do alfabeto grego;
sinal bíblico usado pelo profeta Ezequiel:
“Chamou o Senhor Deus o homem vestido de linho branco, que trazia à cintura os instrumentos de escriba e lhe disse: percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com um “T” na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem.” (Ez 9,3-4)
Todo aquele que tinha sido assinalado com o “T” foi poupado do extermínio.
O Papa Inocêncio III (1160-1216) explica o sentido do Tau: “Tem a forma de Cruz; quem o traz consigo, vive sua fé.”
São Francisco teve grande veneração por esta letra, pois lhe lembrava o grande amor de Cristo por nós.

TAU, SINAL BÍBLICO
Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem”. O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar significa lacrar, fechar dentro de um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.

O TAU FRANCISCANO
O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal da luz, vida e sabedoria.

O TAU COMO IDEAL
No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1.200 prelados, 412 bispos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam São Domingos e São Francisco. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no luxo e no poder temporal. Então, o Papa Inocêncio III recordou e lançou novamente o signo do TAU de Ezequiel 9, 1-7. Queria honrar novamente a cristandade com um projeto eclesial de motivação e superação. Era preciso uma reforma de costumes. Uma vida vivida numa dimensão missionária mais vigorosa sob o dinamismo de uma contínua conversão pessoal. São Francisco saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação papal e andou marcando os irmãos com o TAU, vibrante de cuidado, ternura e misericórdia aprendida de seu Senhor.

USAR O TAU É LEMBRAR O SENHOR
Muita gente usa o Tau. Não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda um caminho de salvação que vai sendo feito ao seguir, progressivamente, o Evangelho. Usar o TAU é colocar a vida no dinamismo da conversão: Cada dia devo me abandonar na Graça do Senhor, ser um reconciliado com toda a criatura, saudar a todos com a Paz e o Bem. Usar o TAU é configurar-se com aquele que um dia ilumina as trevas do nosso coração para levar-nos à caridade perfeita. Usar o TAU é transformar a vida pela Simplicidade, pela Luz e pelo Amor. É exigência de missão e serviço aos outros, porque o próprio Senhor se fez servo até a morte e morte de Cruz.”
(Fonte: Site www.cantodapaz.com.br/Frei Vitório Mazzuco, OFM)



quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Os pequenos sacrifícios...


Jesus, único Amor, ao pé do teu Calvário
que prazer para mim, à noite, jogar flores!...
Rosas primaveris por Vós despetalando
quisera enxugar Vosso pranto.

Atirar flores é ofertar as primícias,
de pequenos gemidos e de grandes dores.
Alegrias e penas, leves sacrifícios,
estas são minhas flores!

(Santa Teresinha do Menino Jesus)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

As pedras atiradas pelo catolicismo de berço


Interessante. Navegando hoje (dia de Santa Maria Madalena) pelo Twitter, é possível observar inúmeras piadinhas feitas com o nome da santa. Não podemos condenar a falta de conhecimento histórico dos tuiteiros, nem muito menos tentar apagar o estereótipo criado sobre a figura de Maria Madalena. Mas, uma coisa vale a pena ser discutida: como a falta de conhecimento em relação à Igreja influencia para que muitos não se sintam atraídos por uma vida em Cristo.
Em nosso país, onde a maioria das pessoas recebem aquele “catolicismo de berço”, o conhecimento em relação aos ensinamentos e à história da Igreja é muito superficial. Quase sempre distorcido ou reduzido.
É de se pensar: será que se as pessoas tivessem acesso, verdadeiramente, ao que é a Igreja Católica, seus santos, sua doutrina, seus ensinamentos... continuariam a julgá-la como ultrapassada?
A ideia de uma Igreja falida é fruto do pouco conhecimento das pessoas a respeito da mesma. E o conhecimento necessário não será fruto apenas de pesquisas no Google, mas sim do testemunho verdadeiro dos cristãos, que vale mais que discursos teológicos.
É nosso dever como cristãos anunciar ao maior número de pessoas possível a verdade. Pois, se alguém conhece a verdade, é liberto de todo preconceito e ignorância. Anunciemos, não apenas pregando, mas vivendo o Evangelho e toda sua radicalidade. Uma radicalidade no amor.
Não nos indignemos com as piadinhas sobre Maria Madalena. Façamos sim nosso dever de evangelizadores. Quem sabe, assim, num futuro nem tão distante, possamos vivenciar o dia de Santa Maria Madalena ouvindo comentários a respeito de sua fidelidade e coragem, que a fizeram seguir o Mestre até a Cruz. O estereótipo existe? Existe. Mas não nos rendamos a ele. Sabemos da verdadeira história, por que não contá-la? Hoje é dia de levar Boa-Nova!
Que por intercessão de Santa Maria Madalena, primeira testemunha da ressurreição, Deus nos conceda a graça de sermos ousados no anúncio do Cristo Vivo!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Topam tudo por dinheiro


Como dói ver o nome de Cristo ser utilizado por tantos para obterem dinheiro. As seitas pentecostais se espalham como uma mancha de óleo, como diria nosso saudoso João Paulo II, poluindo a mente e o coração das pessoas, atraídas muitas vezes pelas promessas de uma prosperidade infértil e superficial.
Nessas seitas, a bênção é medida pela “generosidade” no dízimo. Como se bênção se comprasse. Assim sendo, não assimilam a graça como dádiva, mas como produto.
E o pior: distorcem as Sagradas Escrituras para enganar e lucrar cada vez mais.
Por mais que não tenhamos o direito de julgar, temos o dever de denunciar. E as práticas de certos “pastores” que se dizem evangélicos são, de fato, vergonhosas. Se realmente fossem “evangélicos”, esses homens não se esqueceriam que Jesus preferiu os pobres e viveu como tal, que a prosperidade vivenciada no Antigo Testamento não é termômetro de fé, que o dinheiro não é a recompensa última. Parece redundante, mas evangélico é quem vive o Evangelho.
A nossa verdadeira recompensa é o céu. Por isso, não temos medo de perder tudo por Jesus, de amar a nossa pobreza, pois é na pobreza que nosso Mestre quis se revelar a todos. E não falamos apenas em uma pobreza de bens materiais, mas da verdadeira humildade de coração, que se reconhece dependente de Deus e de sua graça. Dada de graça. “O que agrada a Deus, em minha pequena alma, é que eu ame minha pequenez e minha pobreza. É a esperança cega que tenho em sua misericórdia”, dizia Santa Teresinha. Pobre, mas imensamente rica de bênçãos espirituais.
Uma teologia que se baseia no “ter” e não no “ser” precisa ser revista cuidadosamente. Usar o nome de Deus em vão, aproveitando-se da ingenuidade e, muitas vezes, do desespero daqueles que se encontram em situações difíceis é pecar contra Deus e contra o próximo.
Ser autenticamente “evangélico” é ter a coragem de assumir os ensinamentos de Cristo e todas as suas consequências: perseguições, fome, ultrajes, dor. Uma religião que busca conforto não vem de Cristo, que por diversas vezes deixou claro que não existe vitória sem luta. Sábias são as palavras de São João da Cruz: “Se quiseres possuir Cristo, jamais o busque sem a cruz”.
Não buscamos bens passageiros. Buscamos o Sumo Bem. Pois a recompensa que buscamos não é passageira, mas eterna.

terça-feira, 13 de julho de 2010

É luta!


Quando Deus nos chama a sermos operários em sua messe devemos ter a consciência de que estamos entrando em uma guerra, da qual não podemos jamais desistir.
Se aceitamos o convite de Deus, colocamos tudo ao seu dispor: saúde, tempo, emprego, família, amigos, dinheiro. Nada mais nos pertence, e podemos a qualquer hora perdê-los por causa da obra. Até porque aí é onde mais seremos atacados, pois não lutamos contra homens e sim contra forças malignas dotadas de poder, inteligência e um ódio profundo contra todo aquele que professa o nome de Deus.
Mas, se desistimos, declaramos com isso que não confiamos em Deus, nem em Sua onipotência e sabedoria pois, se somos prósperos em nossa batalha, é para Sua honra e glória. E, se sofremos, também é para Sua honra e glória. Não podemos desistir.
O demônio pode nos tirar tudo que temos nesta vida, mas a Palavra nos consola quando nos ensina que “Quem perde a sua vida por causa de Mim, a encontrará” (Mt 10,39). A única coisa que o inimigo não pode nos roubar é o céu, bem que se conquista dedicando nossas vidas a três atitudes:
- Honrar e glorificar o nome de Deus
- Lutar pela salvação das almas
- Construir um mundo melhor edificando a Igreja de Jesus Cristo
Somos servos de Deus, e não desistiremos independente das dificuldades ou da violência com que somos atacados. Não nos importa o que perdemos ou ganhamos, mas sim os frutos que esta obra tem dado.
Revista CATÓLICOS: um sonho de Deus!