terça-feira, 17 de abril de 2012

O dom de línguas em Pentecostes


No tempo pascal fazemos memória da ressurreição e ascensão do Senhor, mas também nos preparamos para a grande festa de Pentecostes, onde o Consolador desce sobre sua Igreja enchendo-a de força e de dons.
Vamos ler um trecho do capítulo segundo dos Atos dos Apóstolos sobre esse acontecimento:

“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.” (At 2, 1-13)

Até a Solenidade de Pentecostes, publicaremos aqui alguns textos tratando do assunto. Neste post, nos prenderemos no que diz respeito ao dom de línguas derramado em Pentecostes.
Nos últimos tempos, tem-se confundido o dom de línguas (capacidade de falar e compreender outros idiomas sem tê-los aprendido anteriormente) com a prática da glossolalia (capacidade de falar e compreender uma língua inexistente, irracional).
Não queremos, neste texto, avaliar a veracidade e/ou a eficácia da glossolalia na vida da Igreja, pois é um fenômeno relativamente novo dentro do catolicismo, difundido a partir da década de 70, que ainda necessita de estudo e aprofundamento por parte do Magistério da Igreja.
O que queremos, então, é tratar do dom de línguas manifestado no dia de Pentecostes e o seu valor teológico.
Quando o Espírito Santo desceu sob a forma de línguas de fogo, os apóstolos começaram a falar em diversas línguas, como nos mostra o texto bíblico:

“Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. [...] Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? [...] judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!” (idem)

Como podemos ver, não existe nenhum relato de “oração em línguas” (como também é conhecida a glossolalia) nesta passagem bíblica, mas sim de um dom concedido aos apóstolos de que falassem nas diferentes línguas do povo de Deus que ali se encontrava. Vejamos o que nos diz a Tradição da Igreja sobre esse trecho de Atos dos Apóstolos:

"No dia de Pentecostes, teve a sua mais exata e direta confirmação aquilo que fora anunciado por Cristo no discurso da despedida; em particular, o anúncio de que estamos a tratar «O Consolador [...] convencerá o mundo quanto ao pecado». Nesse dia, sobre os Apóstolos congregados no mesmo Cenáculo em oração, juntamente com Maria, Mãe de Jesus, desceu o Espírito Santo prometido, como lemos nos Atos dos Apóstolos: «Todos ficaram cheios de Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que se exprimissem» (cf. At 2,4) «reconduzindo desse modo à unidade as raças dispersas e oferecendo ao Pai as primícias de todas as nações»” (Santo Ireneu de Lyon, Contra as Heresias III)

“Aquele vento purificava os corações da palha da carne. Aquele fogo consumia o fogo da velha concupiscência. Aquelas línguas faladas pelos que estavam repletos do Espírito Santo prefiguravam a futura Igreja, que haveria de estar entre as línguas de todos os povos.” (Santo Agostinho, Sermão 271)

Podemos perceber também que os apóstolos não “oravam” mas sim “pregavam” as maravilhas de Deus em diferentes línguas.
Este fenômeno ocorreu para que se manifestasse a catolicidade da Santa Igreja, ou seja, a Igreja de todas as nações.

"A Igreja é católica, porque o Evangelho se destina a todos os povos e por isso, já desde o início, o Espírito Santo faz com que ela fale todas as línguas" (Papa Bento XVI, Solenidade de Pentecostes, 27 de maio de 2007)

Este fenômeno ocorrido em Pentecostes torna viva no seio da Igreja a missão de Jesus de fazer novas todas as coisas. As diferentes línguas que em Babel foram castigo pela ambição do povo, agora tornam-se sinal da presença de Deus.

"Também em Babel as línguas foram divididas! Exatamente! O que se passa no Pentecostes é exatamente o contrário do que se passou em Babel. Em Babel, por orgulho, foram as línguas dos homens que se dividiram, de modo que eles não se compreendiam mais e foram, por isso, divididos, separados, dispersos. Em Pentecostes é o dom de Deus que se divide para estender-se a cada um e reuni-los a todos: a partir desse momento os homens que receberam o Espírito Santo anunciam todos a mesma palavra, a Palavra de Deus, e fazem-se compreender por todos os homens pois falam todas as línguas. As barreiras lingüísticas são ultrapassadas pela Palavra do Deus Único, tornada compreensível a todos pelo dom das línguas.” (Rito Bizantino)

O Espírito Santo [...] no dia de Pentecostes desceu sobre os discípulos para permanecer eternamente com eles; que a Igreja foi publicamente manifestada ante a multidão; que pela pregação se iniciou a difusão do Evangelho entre as nações; que enfim foi prefigurada a união dos povos na catolicidade da fé mediante a Igreja da Nova Aliança que fala todas as línguas, compreende e abraça na caridade todos os idiomas e assim supera a dispersão de Babel” (Concilio Vaticano II, Decreto Ad Gentes)

Após o Pentecostes, o dom de línguas tornou-se muito comum entre aqueles que eram responsáveis por pregar o Evangelho. Assim, o povo que primeiramente conhecera a Verdade conseguia anunciar o Evangelho de Cristo a povos de diferentes línguas.

Porquanto o dom de línguas devemos saber que como na Igreja primitiva eram poucos os consagrados para ensinar pelo mundo a fé de Cristo, a fim de que mais facilmente e a muitos anunciassem a palavra de Deus, o Senhor deu-lhes o dom de línguas, para que a todos ensinassem, não de modo que falando uma só língua fossem entendidos por todos, como alguns dizem, mas sim, bem literalmente, de maneira que nas línguas dos diversos povos, falassem as de todos. Pelo qual disse o Apóstolo: Dou graças a Deus porque falo as línguas de todos vós (1Co 14,18). E em Atos 2,4, se disse: Falavam em várias línguas, etc. E na Igreja primitiva muitos alcançaram de Deus este dom. [...] Pois os coríntios, que eram de indiscreta curiosidade, preferiam esse dom que o da profecia. E aqui por falar em língua, o Apóstolo entende que em língua desconhecida e não explicada: como se alguém falasse em língua teutônica a um galês, sem explicá-la, esse tal fala em língua.(São Tomás de Aquino, Summa Teológica)

Alguns santos, como São Francisco Xavier, Santo Antônio, São Vicente Ferrer, São Francisco Solano, em sua maioria missionários e pregadores, receberam de Deus esse dom para anunciar por todo o mundo. Em diversas ocasiões, pregaram a grandes multidões de pessoas de nacionalidades diferentes, sendo entendidos por todos como se falassem em sua própria língua de origem.
Quanto menos necessário se torna este dom para o anúncio da Palavra, menos teremos relatos dele, como nos explica Santo Agostinho:

"Quem em nossos dias, espera que aqueles a quem são impostas as mãos para que recebam o Espírito Santo, devem portanto falar em línguas , saiba que esses sinais foram necessários para aquele tempo. Pois eles foram dados com o significado de que o Espírito seria derramado sobre os homens de todas as línguas, para demonstrar que o Evangelho de Deus seria proclamado em todas as línguas existentes sobre a Terra. Portanto o que aconteceu, aconteceu com esse significado e passou." (Santo Agostinho, Homilias)

Sendo assim, queridos irmãos e irmãs, oremos a Deus para que, como em Pentecostes, o Espírito Santo desça sobre a Igreja para que ela continue anunciando as maravilhas de Deus para todos os povos e em todas as línguas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Revista Online


Olá amigos da CATÓLICOS!

Com grande alegria, inauguramos a página MATÉRIAS de nosso blog. Várias matérias das edições impressas da revista já estão disponíveis para leitura online. Vale a pena conferir e divulgar!

Um grande abraço!
Salve Maria!


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Um homem de Deus



Um homem do mundo “chega” em uma mulher.
Um homem de Deus se aproxima.

Um homem do mundo “intima”.
O de Deus conhece, agrada, corteja, conquista.

Quem é do mundo “pega” uma mulher.
Quem é Deus se apaixona, se envolve e começa a namorar.

O começo de um namoro do mundo é permeado de amassos, traições, mentiras e desconfianças.
O de Deus tem oração, tem castidade, tem amizade e romantismo.

No mundo, amigo “pega” mulher de amigo.
Em Deus, casais amigos saem juntos e compartilham sonhos, planos, vidas.

O homem do mundo leva a mulher para comemorar um ano de namoro no motel.
O de Deus vai para a Capela e louva ao Criador pelo seu lindo relacionamento.

O homem do mundo se junta com a mulher e quando se casam a ressaca não permite que se lembre nem em qual igreja se casou.
O de Deus se emociona ao ver sua amada entrar na igreja, sente o peito bater mais forte a cada compromisso selado com Deus diante de seu Altar e ouve os anjos cantando "amém" após o primeiro beijo que dá em sua esposa.

Para um homem do mundo a noite de núpcias é só mais uma qualquer, como tantas e tantas outras.
Para o homem de Deus é o momento de consumar o seu matrimônio tornando-se um com sua amada.

Enfim, para o homem do mundo restam várias opções para a vida:

-Manter um casamento sem cumplicidade, onde as desconfianças continuam as mesmas do tempo de namoro.
-Tornar-se um homem violento, que bate na esposa e nos filhos.
-Tornar-se um homem frio que não sabe dar atenção nem para a esposa nem para os filhos.
-Ter alguns filhos, se separar, casar com outra, ter alguns filhos, se separar...
-Continuar casado, porém com uma (ou várias) amante (s) e também com alguns "chifres".
-Etc...

Para o homem de Deus resta apenas uma opção:

Constituir uma família santa e ser feliz ao lado da esposa e dos filhos, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe.

“Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha.” (Mt 7, 24s)


REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (11/04/2012) - Tema: A DIVINA MISERICÓRDIA REVELADA À SANTA FAUSTINA


“Quantas almas já foram consoladas pela invocação "Jesus, confio em Ti", que a Providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples ato de abandono a Jesus dissipa as nuvens mais densas e faz chegar um raio de luz à vida de cada um.”
(João Paulo II, na homilia da Canonização de Santa Faustina)



JESUS SE REVELA A IRMÃ FAUSTINA

Santa Faustina nasceu em Glogowiec, na Polónia central, no dia 25 de Agosto de 1905, de uma família camponesa de sólida formação cristã. Desde a infância sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Em todo o caso, desde aquela época começou a percorrer a via da santidade. Mais tarde, recordava:  "Desde a minha mais tenra idade desejei tornar-me uma grande santa".
O Senhor a escolheu para uma missão especial. Depois de atravessar pela “noite escura” das provações físicas, morais e espirituais, a partir de 22/02/1931, em Plock,o próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história e novas formas de culto e apostolado em prol desta sua divina misericórdia.


A ESPIRITUALIDADE DA MISERICÓRDIA DIVINA

 Os 5 elementos distintivos da espiritualidade da Divina Misericórdia – que emergem a partir de sua história de fé – tocam de algum modo as mais diversas dimensões da vida humana e conseqüentemente também da nossa fé católica: 
- liturgia (Festa da Divina Misericórdia)
- piedade (Terço da Misericórdia)
- tempo (Novena e Hora da Misericórdia)
- espaço (Imagem)

Nesse estudo, nos atentaremos à Imagem e à Festa da Divina Misericórdia.


A IMAGEM DE JESUS MISERICORDIOSO

A imagem de Jesus Misericordioso tem origem na visão que Santa Faustina teve em 22 de fevereiro 1931, na Polônia. Ela mesma descreve a visão que teve de Jesus em seu Diário: “À noite, quando me encontrava na minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos erguida para a bênção, e a outra tocava-lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido. [...] Logo depois, Jesus me disse: "pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: ‘Jesus, eu confio em Vós’. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro”.
Mais tarde, Jesus revelaria o que esta imagem significa: “Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança [...]. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus”. E disse ainda:
Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia. O vaso é a Imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós [...]. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte [...]. Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela”.
A primeira imagem foi pintada por Eugeniusz Kazimierowski , em 1934, que seguiu estritamente as orientações de Santa Faustina para compor os detalhes da pintura. Jesus então revelou à Santa Faustina: “O Meu olhar, nesta Imagem, é o mesmo que eu tinha na cruz”. A pintura foi exposta pela primeira vez no primeiro domingo depois de Páscoa, a pedido de Jesus. 
Algumas outras imagens de Jesus Misericordioso já foram pintadas, no entanto, a Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso (fundada em 1947 pelo padre Miguel Sopocko, mentor espiritual de Santa Faustina) tem se empenhado para que a imagem original seja propagada, pois foi a única pintada sob as orientações de Santa Faustina. Em 2003, a pintura passou por uma restauração. Assim, em 2004 foi realizada uma sessão fotográfica profissional da imagem a fim de fornecer aos fiéis um meio de divulgar a pintura original.
Aprovada pela Igreja e abençoada pelo presbítero, a imagem se torna para a comunidade e cada fiel um sacramental, ou seja, um sinal sagrado por meio do qual a Igreja pede a Deus os Seus benefícios, sobretudo espirituais.


A FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA

 Com efeito, aos 22/02/1931, uma das primeiras revelações de Jesus à Santa Faustina diz respeito à Festa da Misericórdia, que deveria ser celebrada no 2º domingo da Páscoa:
Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário, 49; cf. 88; 280; 299b; 458; 742; 1048; 1517).
A Festa é uma obra divina, mas Ele quer que Santa Faustina se empenhe tanto em sua implantação, como em seu incremento: “Na Minha festa, na Festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à fonte da Minha misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (D. 206); “Pede ao Meu servo fiel que, nesse dia, fale ao mundo inteiro desta Minha grande misericórdia, que aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida, alcançará perdão total das culpas e penas” (D. 300a; cf. 1072). Santa Faustina abraça com toda a alma esta causa, pelo que exclama e reza: “Oh! como desejo ardentemente que a Festa da Misericórdia seja conhecida pelas almas!” (D. 505); “Apressai, Senhor, a Festa da Misericórdia, para que as almas conheçam a fonte da Vossa bondade” (D. 1003; cf. 1041). Jesus leva a sério a dedicação de Santa Faustina nesta missão: “Pelos teus ardentes desejos, estou apressando a Festa da Misericórdia...” (D. 1082; cf. 1530), e por isso o demônio procura atrapalhar o seu caminho (D. 1496).
“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa” (D. 699); “Desejo conceder indulgência plenária às almas que se confessarem e receberem a Santa Comunhão na Festa da Minha misericórdia” (D. 1109).
Em 30 de abril de 2000, dia em que Santa Faustina foi proclamada santa, o papa João Paulo II instituiu a Festa da Divina Misericórdia para o mundo inteiro.


O POEMA DE SANTA FAUSTINA

“Amor Eterno, mandais pintar a Vossa santa Imagem
E nos desvendais a fonte da misericórdia inconcebível!
Abençoais quem se aproxima de Vossos raios,
E a alma negra se tornará branca como a neve. 
Ó doce Jesus, aqui fundastes o trono da Vossa misericórdia
Para alegrar e ajudar o homem pecador:
Do coração aberto, como de uma fonte límpida,
Flui o consolo para a alma e o coração arrependido.
Que a honra e o louvor para esta Imagem
Nunca deixem de fluir da alma do homem!
Que de cada coração flua honra para a misericórdia de Deus
Agora, e em cada hora, e por todos os séculos!” 


domingo, 8 de abril de 2012

A ressurreição de Jesus Cristo e a esperança do cristão



O grande mistério que em todo o tempo pascal, e especialmente no dia de hoje, deve ocupar as almas amantes de Deus, e enchê-las de dulcíssima esperança, é a felicidade de Jesus ressuscitado. Já meditamos que Jesus, no tempo de sua Paixão, perdeu inteiramente as quatro espécies de bens que o homem pode possuir na terra.

Perdeu os vestidos até a extrema nudez; perdeu a reputação pelos desprezos mais abomináveis; perdeu a florescente saúde pelos maus tratos; perdeu finalmente a vida preciosíssima pela morte mais horrível que se pode imaginar. Agora porém, saindo vivo do fundo do sepulcro, recebe com lucro abundantíssimo tudo quanto perdeu.

O que era pobre, ei-lo feito riquíssimo e Senhor de toda a terra. O que a si próprio se chamava verme e opróbrio dos homens, ei-lo coroado de glória, assentado à direita do Pai. O que pouco antes era o Homem das dores e provado nos sofrimentos, ei-lo dotado de nova força e de uma vida imortal e impassível. Finalmente o que tinha sido morto do modo mais horrível, ei-lo ressuscitado pela sua própria virtude, dotado de sutileza, de agilidade, de clareza, feito as primícias de todos os que dormem com a esperança de ressuscitarem também um dia à imitação de Cristo.

Detenhamos-nos aqui para tributar a nosso Chefe divino as devidas homenagens. Façamos um ato de fé viva na sua ressurreição, e cheguemo-nos a ele para beijarmos em espírito os sinais de suas cinco chagas glorificadas. Alegremo-nos com ele, por ter saído do sepulcro, vencedor da morte e do inferno, e digamos com todos os santos: « O Cordeiro que foi imolado por nós, é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção » (Ap 5,12)

Regozijemo-nos com Jesus Cristo; mas regozijemo-nos também por nós mesmos, porquanto a sua ressurreição é o penhor e a norma da nossa, se ao menos, como diz São Paulo, morrermos primeiro interiormente ao afeto das coisas terrestres: « Si commortui sumus, et convivemus – Se morrermos com ele, com ele também viveremos » (2 Tm 2,11). Ó doce esperança! « Virá a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus » (Jo 5,28); e então pelo poder divino retomaremos o mesmo corpo que agora temos, mas formoso e resplandecente como o sol. Nós também ressuscitaremos!

A esperança da futura ressurreição é o que consolava o santo Jó no tempo de sua provação. « Eu sei », disse ele, e nós, digamos o mesmo no meio das cruzes e tribulações da vida presente: « eu sei que o meu Redentor vive, e que no derradeiro dia surgirei da terra; e serei novamente revestido de minha pele, e na minha própria carne verei a meu Deus... esta minha esperança está depositada no meu peito » (Jó 19,25)

Meu amabilíssimo Jesus, graças Vos dou que pela vossa morte adquiristes para mim o direito à posse de tão grande bem, e hoje pela vossa ressurreição avivais a minha esperança. Sim, espero ressurgir no último dia, glorioso como Vós, não tanto por meu próprio interesse, como para estar para sempre unido convosco, e louvar-Vos e amar-Vos eternamente. É verdade que pelo passado Vos ofendi com os meus pecados; mas agora arrependo-me de todo o coração e pela vossa ressurreição peço-Vos que me livrais do perigo de recair na vossa desgraça: Per sanctam resurrectionem tuam, libera me, Domine - « Pela vossa santa ressurreição, livrai-me, Senhor »

« E Vós, Eterno Pai, que no dia presente nos abristes a entrada da eternidade bem-aventurada, pelo triunfo que vosso Unigênito alcançou sobre a morte: aumentai com o Vosso auxílio os desejos que a vossa inspiração nos instila ». Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e de Maria Santíssima. Assim seja.

(Santo Afonso Maria de Ligório)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (04/04/2012) - Tema: MARIA, CO-REDENTORA



CONSIDERAÇÕES INICIAIS...

- O título mariano de "Co-redentora" se refere à participação única de Maria na obra de nossa redenção, realizada por Jesus Cristo. O prefixo "co" vem do latim "cum", que significa "com" e não "igual a".

 

- O conceito de Co-Redentora não é um dogma, embora petições para declará-lo (juntamente com Medianeira) dogmaticamente, tenham sido submetidos ao Papa por vários cardeais e bispos, para que esta crença possa tornar-se o quinto dogma mariano aprovado pela Santa Sé.

 

- O conceito de Co-Redenção não é novo, mesmo antes do ano 200, Santo Ireneu de Lyon refere-se a Maria como "causa salutis" (causa de nossa salvação) devido ao seu Filho.

 

- O Papa João Paulo II usou o título de Co-redentora pelo menos em seis ocasiões em pronunciamentos, como fez o Papa Pio XI várias vezes antes dele.
    Por exemplo, em sua homilia em Guayaquil, Equador, em janeiro de 1985, João Paulo II declarou que Maria estava "crucificada espiritualmente com seu Filho crucificado" e que "seu papel como Co-redentora não cessou depois da glorificação de seu Filho".   
Os santos trazem um forte testemunho para o título de Maria Co-redentora. São Pio de Pietrelcina, São Josemaría Escrivá, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), São Leopoldo Mandic, Bem-Aventurado Bartolo Longo e vários outros santos recentemente canonizados e bem-aventurados usaram o título, junto com São Maximiliano Kolbe.   
Madre Teresa de Calcutá foi efetivamente um dos líderes da causa para uma definição de Maria Co-redentora e Medianeira de todas as graças. Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, também sublinhou o papel de Maria Co-redentora em seu último livro "Apelos da Mensagem de Fátima", expondo sobre Maria Co-redentora em seis seções diferentes.

A este respeito, afirma o famoso teólogo Pe. Royo Marin: A Co-Redenção mariana — assim como a Redenção de Cristo, com a qual forma uma só coisa — atinge todo o gênero humano, sem exceção. Não há um Redentor por um lado e uma Co-Redentora por outro, mas uma só Redenção, realizada por Cristo com a cooperação secundária de Maria”.

 

 

PRONUNCIAMENTO DE JOÃO PAULO II SOBRE O TEMA


Maria, singular cooperadora da Redenção

Audiência do Santo Papa João Paulo II, no dia 9 de abril de 1997

Queridos Irmãos e Irmãs
1. No decurso dos séculos a Igreja refletiu sobre a cooperação de Maria na obra da salvação, aprofundando a análise da sua associação ao sacrifício redentor de Cristo. Já Santo Agostinho atribui à Virgem a qualificação de «cooperadora » da Redenção (cf. De Sancta Virginitate, 6;PL 40, 399), título que põe em relevo a ação conjunta e subordinada de Maria a Cristo Redentor.
Neste sentido se desenvolveu a reflexão, sobretudo a partir do século XV. Temeu-se que se quisesse pôr Maria no mesmo plano de Cristo. Na realidade, o ensinamento da Igreja sublinha com clareza a diferença entre a Mãe e o Filho na obra da salvação, ilustrando a subordinação da Virgem, enquanto cooperadora, ao único Redentor.
De resto, o apóstolo Paulo, quando afirma: «Somos cooperadores de Deus» (1Cor. 3, 9), sustenta a efetiva possibilidade para o homem de cooperar com Deus. A colaboração dos crentes que, obviamente, exclui qualquer igualdade com Ele, exprime-se no anúncio do Evangelho e no contributo pessoal ao seu arraigamento no coração dos seres humanos.
2. Aplicado a Maria, o termo «cooperadora » assume, porém, um significado específico. A colaboração dos cristãos na salvação atua-se depois do evento do Calvário, cujos frutos eles se empenham em difundir mediante a oração e o sacrifício. O concurso de Maria, ao contrário, atuou-se durante o evento mesmo e a título de mãe; estende-se, portanto, à totalidade da obra salvífica de Cristo. Somente Ela esteve associada deste modo à oferta redentora, que mereceu a salvação de todos os homens. Em união com Cristo e submetida a Ele, colaborou para obter a graça da salvação à humanidade inteira.
O particular papel de cooperadora, desempenhado pela Virgem, tem como fundamento a sua maternidade divina. Dando à luz Aquele que estava destinado a realizar a redenção do homem, nutrindo- O, apresentando-O no templo, sofrendo com Ele que morria na Cruz, «cooperou de modo singular na obra do Salvador» (LG, 61). Embora a chamada de Deus a colaborar na obra da salvação se refira a cada ser humano, a participação da Mãe do Salvador na Redenção da humanidade representa um fato único e irrepetível.
Não obstante a singularidade dessa condição, também Maria é destinatária da salvação. É a primeira remida e resgatada por Cristo, «da maneira mais sublime» na sua imaculada conceição (cf. Bula «Ineffabilis Deus», em Pio IX, Acta I, 605) e cumulada pela graça do Espírito Santo.
3. Esta afirmação conduz-nos agora a perguntar-nos: qual é o significado desta singular cooperação de Maria no plano da salvação? Ele deve ser procurado numa particular intenção de Deus em relação à Mãe do Redentor, a qual em duas ocasiões solenes, isto é, em Caná e junto da Cruz, é chamada por Jesus com o título de «Mulher» (cf. Jo. 2, 4; 19, 26). Maria, enquanto mulher, é associada à obra salvífica. Tendo criado o homem «varão e mulher» (cf. Gn. 1, 27), o Senhor quer, também na Redenção, pôr ao lado do Novo Adão a Nova Eva. O casal dos progenitores empreendera a via do pecado; um novo casal, o Filho de Deus com a colaboração da Mãe, haveria de restabelecer o gênero humano na sua dignidade originária.
Maria, Nova Eva, torna-se assim ícone perfeito da Igreja. Ela, no desígnio divino, representa aos pés da Cruz a humanidade remida que, necessitada de salvação, se torna capaz de oferecer um contributo ao desenvolvimento da obra salvífica.
4. O Concílio tem bem presente esta doutrina e fá-la própria, ressaltando o contributo da Virgem Santíssima não só no nascimento do Redentor, mas também na vida do seu Corpo místico, ao longo dos séculos e até ao «escaton»: na Igreja Maria «cooperou» (cf. LG, 53) e «coopera» (cf. LG, 63) na obra da salvação. Ao ilustrar o mistério da Anunciação, o Concílio declara que a Virgem de Nazaré «abraçou de todo o coração o desígnio salvífico de Deus, se consagrou totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus onipotente o mistério da Redenção» (LG, 56).
O Vaticano II, além disso, apresenta Maria não só como a «mãe do Redentor », mas como «companheira generosa deveras excepcional», que coopera «de modo singular, com a sua obediência, fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador». Recorda, além disso, que o fruto sublime desta cooperação é a maternidade universal: «É por esta razão nossa mãe na ordem da graça» (LG, 61).
À Virgem Santa podemos, então, dirigir- nos com confiança, implorando-lhe o auxílio, na consciência do papel singular a Ela confiado por Deus, o papel de cooperadora da Redenção, por Ela exercido durante toda a vida e, de modo particular, aos pés da Cruz.


MARIA, A NOVA EVA

“O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência. Eva, obedecendo à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e os entregou ao poder infernal; Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos e os consagrou a Deus.”
(São Luís Maria Gringnion de Montfort)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Adorar o Corpo de Cristo



Cristo, para nos levar a amá-lo mais, deu-nos a sua carne como alimento. Vamos, pois, até ele com muito amor e devoção... Este corpo é o que os magos adoraram quando estava deitado numa manjedoura. Esses pagãos, esses estrangeiros deixaram a sua pátria e a sua casa, empreenderam uma longa viagem para o adorarem com temor e tremor. Imitemos ao menos esses estrangeiros, nós que somos cidadãos dos céus... 
Vós mesmos já não o vedes numa manjedoura, mas sobre o altar. Já não vedes uma mulher que o segura nos braços, mas o sacerdote que o oferece e o Espírito Santo que, com toda a sua generosidade, paira por cima das oferendas. Não só vedes o mesmo corpo que viram os magos mas, além disso, conheceis o seu poder e a sua sabedoria, e não ignorais nada do que Ele realizou, após toda a iniciação aos mistérios que vos foi minuciosamente facultada. Acordemos, pois, e despertemos em nós o temor de Deus. Mostremos muito mais piedade para com o Corpo de Cristo do que aqueles estrangeiros manifestaram... 
Esta mesa fortalece a nossa alma, congrega o nosso pensamento, suporta a nossa confiança; ela é a nossa esperança, a nossa salvação, a nossa luz, a nossa vida. Se deixarmos a terra munidos com este sacramento, entraremos mais confiantes nos átrios sagrados... Mas para quê falar do futuro? Já neste mundo, o sacramento transforma a terra em céu. Abri, pois, as portas do céu..., vereis então o que vos acabo de dizer. O que há de mais precioso no céu, vo-lo mostrarei sobre a terra. O que vos mostro não são anjos, nem arcanjos, nem os céus dos céus, mas aquele que é o Senhor deles todos.

(São João Crisóstomo)