quinta-feira, 10 de maio de 2012

REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (09/05/2012) - Tema: JUÍZO PARTICULAR E JUÍZO FINAL



JUÍZO PARTICULAR

A morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo. O Novo Testamento fala do juízo principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na segunda vinda deste, mas repetidas vezes afirma também a retribuição, imediatamente depois da morte, de cada um em função de suas obras e de sua fé. A parábola do pobre Lázaro e a palavra de Cristo na cruz ao bom ladrão assim como outros textos do Novo Testamento, falam de um destino último da alma pode ser diferente para uns e outros.
Cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja por meio de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre. (CIC §1021 e §1022)

JUÍZO FINAL

O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte. (CIC §1040)

A RESSURREIÇÃO DA CARNE

Quem irá ressuscitar? Nos diz São Paulo que “assim como todos morreram em Adão, todos serão vivificados em Cristo”( I Cor 15,22). Todos, bons e maus hão de ressurgir dos mortos, mas nem todos terão a mesma sorte, “os que praticaram o bem, ressurgirão para a vida, os que praticaram o mal, ressurgirão para a condenação”(Jo 5,29). 
Os que morreram em Cristo, nos diz São Paulo," ressuscitarão primeiro, e os que ficam serão arrebatados, por sobre as nuvens, para ir de encontro a Cristo nos ares”(I Tes 4,16).
Santo Ambrósio nos diz: “Nesse arrebatamento sobrevirá a morte. À semelhança de um sono, a alma se desprenderá para voltar ao corpo no mesmo instante. Ao serem arrebatadas morrerão. Chegando, porém, diante do Senhor, novamente receberão sua almas, em virtude da própria presença do Senhor, porquanto não pode haver mortos na companhia do Senhor”( Aug. de Civ. Deis XX 20)
   
COMO SERÃO OS CORPOS GLORIOSOS?

Os corpos dos ressuscitados terão propriedades, à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo, portanto ser-lhe-á restituído tudo o que pertença a integridade da natureza, os dons, as excelências do homem como tal .
Entre os dons dos corpos ressuscitados dos santos , segundo São Tomás e o catecismo Romano, estão:

Impassibilidade: Dom especial cuja virtude é impedir que os corpos sintam qualquer dor, sofrimento ou incômodo. “Semeia-se o corpo na corrupção, diz o Apóstolo, e ressurgirá na incorruptibilidade” (I Cor. XV, 42). A impassibilidade não é comum aos condenados, cujos corpos podem, apesar de imperecíveis, podem padecer de todas as formas de sofrimento.

Claridade: Dom especial pelo qual os corpos dos Santos refulgirão como o sol. Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem-aventurança. Diz Nosso Senhor: “Os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai” (Mat. XIII, 43). Esse é o dom que às vezes o Apóstolo chama de “glória”.
Mas não devemos crer que todos sejam dotados da mesma claridade, como o serão da mesma incorruptibilidade. O fulgor do corpo ressuscitado será proporcional à santidade da alma. Diz São Paulo: “Uma é a claridade do sol, outra a das estrelas. Com efeito, uma estrela difere da outra em claridade. Assim acontecerá na ressurreição dos mortos” (I Cor XV, 41-42). Esta claridade é um certo resplendor comunicado ao corpo pela suma bem aventurança da alma. Vem a ser a participação da felicidade, de que goza a própria alma, pois nela recai uma parcela da felicidade divina.

Sutileza: O corpo ficará inteiramente sujeito ao império da alma, prestando-lhe serviço, e executando suas ordens com prontidão. “Semeia-se um corpo animal, ressuscitará um corpo espiritual” (I Cor. XV, 44). É bem notar que a sutilidade, de modo nenhum, implica que o corpo ressuscitado deixe de ser matéria para se converter em espírito; é matéria autêntica, contudo matéria mais intensamente penetrada pelo espírito; o que quer dizer: enriquecida de qualidades mais nobres dos que as que possui atualmente. 
A expressão paulina “corpo espiritual” não significa senão corpo de matéria em que o Espírito Santo expande plenamente a vida e glória de Deus. 
Explica Santo Agostinho: “Assim como o espírito, servindo à carne, é, com razão, dito carnal, assim a carne, servindo ao espírito, é adequadamente chamada espiritual, não porque se torne espírito, como julgam a alguns baseados em I Cor. XV...; mas porque se sujeitará ao espírito numa suma e admirável prontidão para obedecer... removido todo sentimento de dor, toda corruptibilidade e lentidão. Não somente o corpo não será tal como é agora no melhor estado de saúde, mas nem mesmo tal como foi nos primeiros homens antes do pecado.” (De civ. Dei 13, 20).

Agilidade: Devido ao dom da sutileza, poderão se mover para onde a alma queira. No Cristo ressuscitado tem-se claro exemplar de tal prerrogativa: com admirável facilidade o Senhor se transpunha de uma região a outra da Palestina.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Por uma liturgia bela!



O valor da beleza como componente intrínseco da liturgia da Igreja parece estar esquecido por muitos. O que vemos, não raramente, são discursos sem fundamento que acusam a busca pela beleza como mera superficialidade e esteticismo, ou ainda, como uma manifestação contrária à pobreza ensinada e vivida por Cristo. Os que defendem esse ponto de vista tendem a uma “simplorização” do sagrado, recusando o “belo” apoiados nos argumentos já citados.
Na verdade, a Santa Igreja sempre defendeu a beleza litúrgica como sendo legítima. O próprio papa Bento XVI em seu encontro com os artistas, em 2009, afirmou que “a autêntica beleza abre o coração humano ao desejo de ir para o Alto, para o Além de si”. Dessa forma, não podemos aceitar o argumento de que a busca pela beleza seja simples superficialidade, que em nada colabora para uma verdadeira participação no Mistério celebrado. A beleza tem a capacidade de expressar, ainda que de maneira imperfeita, aquilo que transcende a nossa humanidade, elevando-nos assim à esfera do sagrado. "O caminho da beleza nos conduz, portanto, a colher o Tudo no fragmento, o Infinito no finito, Deus na história da humanidade”, afirmou o Santo Padre na mesma ocasião.
Acusar a busca pela beleza como esteticismo também se constitui um erro, pois o esteticismo tem a apreciação da estética como seu fim último, o que não é o caso da beleza litúrgica. Esta, não possui a beleza como um fim em si mesma, mas sim como um autêntico caminho para outro fim: o próprio Deus. Diz o escritor católico alemão Dietrich von Hildebrand: “Se alguém se recusasse a ir à missa porque a igreja é feia e a música medíocre, seria culpado de esteticismo, pois estaria substituindo o ponto de vista estético ao ponto de vista religioso. Antítese do esteticismo é apreciar a elevada função da beleza na religião, é compreender o legítimo papel que lhe cabe desempenhar no culto e o desejo das pessoas religiosas em revestir de grande beleza tudo o que se refere ao culto divino. Esta apreciação justa da beleza é até um crescimento orgânico da reverência, do amor a Cristo, do ato mesmo de adoração”.
Do mesmo modo, podemos facilmente perceber que a busca pela beleza na liturgia e nos templos não se opõe à pobreza evangélica. O próprio São Francisco de Assis, que praticou a pobreza com toda austeridade, sempre estimou e incentivou a beleza das igrejas, dos paramentos e objetos litúrgicos. Estaria, então, agindo de maneira contraditória? Certamente que não. A pobreza evangélica não descarta o zelo litúrgico. A pobreza evangélica descarta o consumismo e a idolatria aos bens.
Enfim, o Santo Padre Bento XVI, assim como seu predecessor, o Beato João Paulo II, tem insistido em reafirmar a válida colaboração da beleza litúrgica para uma melhor participação do povo de Deus no Mistério celebrado. Sendo assim, como a mulher de Betânia que derramou perfume aos pés de Jesus, não temamos empenhar nossos esforços na promoção de uma liturgia bela e agradável a Nosso Senhor.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (02/05/2012) - Tema: PECADO



"É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados. Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido."
(Nossa Senhora em Fátima, outubro de 1917)

O QUE É O PECADO?

“O pecado é ofensa a Deus: "Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos" (Sl 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se "como deuses", conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, "amor de si mesmo até o desprezo de Deus".” (CIC §1850)
A doutrina católica distingue o pecado em 3 categorias: o pecado original, o pecado mortal e o pecado venial.
“O homem, quando peca, diz a Deus com as suas obras: Afasta-Te de mim, não Te quero obedecer, nem servir, nem reconhecer por meu Senhor, nem ter por meu Deus. O meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança.” (Santo Afonso de Ligório)

PECADO ORIGINAL

“De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O gênero humano inteiro é em Adão "como um só corpo de um só homem". Em virtude desta "unidade do gênero humano", todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado "pecado" de maneira analógica: é um pecado "contraído" e não "cometido", um estado e não um ato.” (CIC §404)

EFEITOS DO BATISMO EM RELAÇÃO AO PECADO

Apaga totalmente da alma o pecado original e todos os pecados atuais, antes cometidos; esses pecados não são apenas cobertos, mas apagados de fato, e de forma definitiva. Assim o definiu expressamente o Concílio de Trento.
Perdoa toda a pena devida pelos pecados, tanto a temporal como a eterna. De modo que se um pecador recebe o Batismo no momento da morte, entra imediatamente no Céu, sem passar pelo Purgatório. Foi o que ensinou o Concílio de Florença e o de Trento definiu.
Quanto às crianças mortas sem Batismo, a liturgia da Igreja convida-nos a ter confiança na misericórdia divina e a orar pela salvação delas.

DIFERENÇA ENTRE PECADO MORTAL E VENIAL

“Considerando o pecado, ademais, sob o aspecto da pena que implica, Santo Tomás com outros doutores, chama mortal ao pecado que, se não for remido, faz contrair uma pena eterna; venial, ao pecado que merece uma simples pena temporal (quer dizer, parcial e expiável na terra ou no Purgatório).” (Papa João Paulo II, 2 de Dezembro  de 1984)

PECADO VENIAL

“Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.” (CIC §1862)
Apesar e não ser estritamente necessária, a confissão das faltas cotidianas (pecados veniais) é vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular de nossos pecados veniais nos ajuda a formar a consciência, a lutar contra nossas más tendências, a deixar-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. (CIC §1458)
O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. "Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna."
O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão... (CIC §1863)

PECADO MORTAL

“Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3,14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos. Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra "inferno".” (CIC §1033)

CONDIÇÕES PARA SE PECAR MORTALMENTE

Todo o pecado é uma transgressão da lei de Deus; mas, para ser mortal, é necessário que essa transgressão corresponda a três condições; faltando ainda que seja uma só delas, já não é mortal.
A transgressão deve ser:

1) Em matéria grave. Isto sucede quando se viola um ponto importante da Lei de Deus. “A matéria grave é precisada pelos Dez mandamentos, segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: "Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não dó fraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe" (Mc 10,19). A gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A violência exercida contra os pais é mais grave que contra um estranho.” (CIC §1858)

2) Com plena advertência. Há plena advertência, quando sabemos que o que estamos para fazer ou para omitir é gravemente proibido ou ordenado. Não é necessário pensar no mal do pecado; basta saber que se faz coisa gravemente má. Falta a plena advertência quando se age por distração, com o espírito confuso, entre o sono e a vigília, etc. Nestes casos o pecado já não é mortal. Se a advertência falta completamente, não há pecado algum;

3) Com consentimento deliberado; isto é, quando se sabe que uma coisa é má, e, todavia, se faz voluntariamente. As paixões, e especialmente o temor, a ira, a provocação grave podem diminuir a força da vontade, atenuando a culpa, e torná-la à vezes até venial. Falta também o consentimento deliberado quando alguém age constrangido pela violência física. (exemplo: uma mulher que foi estuprada não pecou cometeu pecado).

PECADOS GRAVES CITADOS NO CATECISMO

- Ato sexual fora do Matrimônio, assim como masturbação e adultério.
- Blasfêmia contra o Espírito Santo (quem se nega a acolher a misericórdia de Deus)
- Blasfêmia (proferir contra Deus interior ou exteriormente - palavras de ódio, de ofensa, de desafio, em falar mal de Deus, faltar-lhe deliberadamente com o respeito ao abusar do nome de Deus). A proibição da blasfêmia se estende às palavras contra a Igreja de Cristo, os santos, as coisas sagradas.
- Homicídio (O assassino e os que cooperam voluntariamente com o assassinato cometem um pecado que clama ao céu por vingança. Preocupações de eugenismo ou de higiene pública não podem justificar nenhum assassinato, mesmo a mando dos poderes públicos.)
- Inveja (Quando deseja um grave mal ao próximo, é um pecado mortal)
- Ira (Se a cólera chega ao desejo deliberado de matar o próximo ou de feri-lo com gravidade)
- Maldade (O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave.)
- Mentira (A gravidade da mentira se mede segundo a natureza da verdade que ela deforma, de acordo com as circunstâncias, as intenções daquele que a comete, os prejuízos sofridos por aqueles que são suas vítimas. Embora a mentira, em si, não constitua senão um pecado venial, torna-se mortal quando fere gravemente as virtudes da justiça e da caridade.)
- Ódio (O ódio ao próximo é um pecado quando o homem quer deliberadamente seu mal. O ódio ao próximo é um pecado grave quando se lhe deseja deliberadamente um grave dano.)
- Sacrilégio (profanar ou tratar indignamente os sacramentos e as outras ações litúrgicas, bem como as pessoas, as coisas e os lugares consagrados a Deus. O sacrilégio é um pecado grave, sobretudo quando cometido contra a Eucaristia, pois neste sacramento o próprio Corpo de Cristo se nos torna substancialmente presente.)
- Transgressão da obrigação de participar da Eucaristia nos dias de preceito (a não ser por motivo grave)

EFEITOS DO PECADO MORTAL NA ALMA DO PECADOR

“O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior.”
O pecado venial deixa subsistir a caridade, embora a ofenda e fira.
“O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. No entanto, mesmo podendo julgar que um ato é em si falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.” (§1855 e 1861)
Por um só pecado mortal:
- Milhões de anjos do Paraíso converteram-se em horríveis demônios, por toda a eternidade.
- Foram expulsos do Paraíso terrestre os nossos primeiros pais, Adão e Eva, submergindo a humanidade num mar de lágrimas e doenças, guerras e mortes.
- Serão mantidos no Inferno, por toda a eternidade, os culpados a quem a morte surpreende em pecado mortal.
Eis os efeitos que o 'pecado mortal' produz na alma do pecador:
1. Perda da Graça santificante, das virtudes infusas e dons do Espírito Santo.
Priva a alma da Graça de Deus e da amizade de Deus.
2. Perda de presença amorosa da Santíssima Trindade na alma.
3. Perda dos méritos adquiridos em toda a vida passada, tornando-a incapaz de adquirir novos méritos.
4. Feiíssima mancha na alma, que a deixa tenebrosa e horrível, à Visão Divina.
5. Torna a alma escrava de Satanás, aumento das más inclinações e remorsos de consciência.
6. Fá-la merecer o Inferno, e também os castigos desta vida.

O pecado mortal é o Inferno em potência. É um verdadeiro suicídio da alma e da vida da Graça de Deus em nós.

MORTE EM PECADO MORTAL

“O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.” (CIC §1035)
O Papa Gregório X que presidiu o Concílio de Lyon II em 1274 declarou ex-catedra que: As almas daqueles que morrem em pecado mortal ou apenas com o pecado original, em qualquer caso, descem imediatamente ao inferno, embora punidos com diferentes castigos.” (Denzinger, Fontes do Dogma Católico) afirmação que foi repetida pelo Papa João XXII em 1321.

É BOM PREPARAR-SE PARA UMA SANTA MORTE

Ensina o catecismo: “A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte "Livra-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista": antiga ladainha de todos os santos, a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós "na hora de nossa morte" (oração da "Ave-Maria") e a entregar-nos a São José, padroeiro da boa morte:
“Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesses de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranqüila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã?” (Imitação de Cristo)
“Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.” (São Francisco de Assis)”

VISÕES DO INFERNO

Santa Faustina descreveu o inferno como segue:
"Hoje fui dirigida por um Anjo aos abismos do inferno. É um lugar de grande tortura; como terrivelmente grande e extenso é! As espécies de torturas eu vi:

·A primeira tortura que constitui o inferno é a perda de Deus;
·Segunda é o remorso perpétuo da consciência;
·Terceira é que aquela condição nunca mudará;
·Quarta é o fogo que penetrará na alma sem destruí-la—um sofrimento terrível, como é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus;
·Quinta tortura é a escuridão ininterrupta e um terrível e sufocante odor. Apesar da escuridão, os demônios e as almas dos condenados vêem todos os males, os próprios e dos outros;
·Sexta tortura é a companhia constante de Satanás;
·Sétima é o desespero horrível, aversão de Deus, palavras vis, maldições e blasfêmias.

Estas são as torturas sofridas por todos os condenados, mas isto não é o fim dos sofrimentos. Há torturas especiais dos sentidos. Cada alma sofre sofrimentos indescritíveis, terríveis, relacionados à maneira com que se pecou. Há cavernas e fossas de tortura onde uma forma de agonia difere da outra. Teria morrido na mesma visão destas torturas se a onipotência de Deus não tivesse me apoiado. Escrevo isto no comando de Deus, de modo que nenhuma alma pode achar uma desculpa por dizer não há inferno, nem que ninguém jamais esteve lá e por isso não se pode dizer como ele é".
  
“Tenhamos sempre horror ao pecado mortal e nunca deixemos de caminhar na estrada da santa eternidade.” (Padre Pio)

terça-feira, 1 de maio de 2012

O legado de João Paulo II

Celebramos hoje o primeiro aniversário da beatificação do nosso amado Papa João Paulo II. 
Não é de se estranhar que tantas capelas estejam sendo erguidas em sua memória. Um grande homem, que liderou por gerações a grande nação católica em odor de santidade. O Papa da Eucaristia, da Virgem Santíssima. Papa peregrino. O Papa da juventude. O grande líder de uma Igreja renovada.
Suas palavras guiaram nossos passos, mas a sua vida converteu milhares, milhões de corações pelo mundo. Seu carinho, seu amor, sua humildade e piedade fizeram o mundo se sentir órfão naquele 2 de abril de 2005.
Um papa que quebrava os protocolos, que amava o homem, independente de sua crença, porque via nele a imagem de seu Criador. Um papa que amou e conquistou o mundo talvez como nenhum outro o tenha feito.
Ele nos reensinou a amar a Igreja de Cristo e a entregarmos nossa vida por ela. Um sábio ancião de espírito jovial que se derramou até a última gota para que suas ovelhas se mantivessem seguras no aprisco.
Um grande pai que gerou, com a sua santidade, a fé dos adultos de hoje. Novos padres, novos pais e mães de família, irmãos e irmãs de tantas congregações espalhadas pelo mundo. Novos adultos, que outrora, quando ainda jovens, viram naquele homem a presença do Bom Pastor.
Como não se emocionar ao ver aquele homem inclinar-se para beijar o chão de todos os lugares por onde passou? Como não se alegrar ao ver seu sorriso diante de milhões de jovens em suas jornadas pelo mundo? Como não reconhecer nele a figura de Jesus Misericordioso ao perdoar aquele que tentara lhe tirar a vida?
Um homem santo que nos ensinou, com seu testemunho, a orar e a depositar as nossas esperanças no Sagrado Coração de Nosso Senhor.
É difícil não imaginar que agora, no Céu, ele está sentado ao lado da Virgem, intercedendo para que tenhamos força para enfrentar esse mundo cada vez mais descrente.
Queremos terminar esse texto com a oração que nosso pastor lhe fez exatamente há um ano:
“Feliz és tu, amado Papa  João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Muitas vezes, do Palácio, tu nos abençoaste nesta Praça! Hoje nós  te pedimos: Santo Padre, abençoa-nos! Amém.”
                                   

sábado, 28 de abril de 2012

Aprendendo a amar a Virgem com São Luís Montfort



Não há como falar de São Luis Maria G. de Montfort sem falar da Virgem Maria. Este santo, o qual celebramos em 28 de abril, é considerado o maior devoto da Santíssima Virgem. Sua obra, o "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem" tem levado muitos a uma verdadeira devoção e entrega total às mãos de Maria. 
Postamos aqui um breve testemunho do Beato João Paulo II acerca de São Luis Montfort e a doutrina contida no Tratado. Podemos observar com grande alegria que o papa "todo de Maria" atribui a São Luis Montfort a sua tão grande devoção a Nossa Senhora.

São Luis Montfort, rogai por nós!




"Há 160 anos foi publicada uma obra destinada a tornar-se um clássico da espiritualidade mariana. São Luís Maria Grignion de Montfort compôs o Tratado sobre a verdadeira devoção à Virgem Santíssima no início de 1700, mas o manuscrito permaneceu praticamente desconhecido por mais de um século. Quando finalmente, quase por acaso, em 1842 foi descoberto e em 1843 foi publicado, teve sucesso imediato, revelando-se uma obra de eficiência extraordinária para a difusão da "verdadeira devoção" à Virgem Santíssima. Eu próprio, nos anos da minha juventude, tirei grandes benefícios da leitura deste livro, no qual "encontrei a resposta às minhas perplexidades" devidas ao receio que o culto a Maria, "dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo" (Dom e mistério, pág. 38). Sob a orientação sábia de São Luís Maria compreendi que, quando se vive o mistério de Maria em Cristo, esse risco não subsiste. O pensamento mariológico do Santo, de fato, "está radicado no Mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo de Deus (ibid.).

A Igreja, desde as suas origens, e sobretudo nos momentos mais difíceis, contemplou com particular intensidade um dos acontecimentos da Paixão de Jesus Cristo, referido a São João:  "Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali de pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe:  "Mulher, eis o teu filho!". Depois, disse ao discípulo:  "Eis a tua mãe!". E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua" (Jo 19, 25-27). Ao longo da sua história, o Povo de Deus experimentou esta doação feita por Jesus crucificado:  a doação da sua Mãe. Maria Santíssima é verdadeiramente a nossa Mãe, que nos acompanha na nossa peregrinação de fé, esperança e caridade rumo à união cada vez mais intensa com Cristo, único salvador e mediador da salvação (cf. Const. Lumen gentium, 60 e 62).


Como se sabe, no meu brasão episcopal, que é a ilustração simbólica do texto evangélico acima citado, o mote Totus tuus está inspirado na doutrina de São Luís Maria Grignion de Montfort (cf. Dom e mistério, págs. 38-39:  Rosarium Virginis Mariae, 15). Estas duas palavras exprimem a pertença total a Jesus por meio de Maria:  "Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt", escreve São Luís Maria; e traduz:  "Eu sou todo teu, e tudo o que é meu te pertence, meu amável Jesus, por meio de Maria, tua Santa Mãe" (Tratado sobre a verdadeira devoção, 233). A doutrina deste Santo exerceu uma profunda influência sobre a devoção mariana de muitos fiéis e sobre a minha própria vida. Trata-se de uma doutrina vivida, de grande profundidade ascética e mística, expressa com um estilo vivo e fervoroso, que usa com frequência imagens e símbolos. A partir do tempo em que São Luís Maria viveu, a teologia mariana contudo desenvolveu-se muito, sobretudo mediante o contributo decisivo do Concílio Vaticano II. Por conseguinte, hoje, deve ser lida novamente e interpretada à luz do Concílio a doutrina monfortina, que conserva de igual modo a sua substancial validade."

(CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS FAMÍLIAS MONFORTINAS SOBRE A DOUTRINA DO SEU FUNDADOR. Vaticano, 8 de Dezembro de 2003, Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (25/04/2012) - Tema: AS VIRTUDES TEOLOGAIS – FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE


Fé, Esperança e Caridade


“Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor" (Fl 4,8).


O QUE SÃO AS VIRTUDES TEOLOGAIS?

A virtude é uma disposição habitual e firme de fazer o bem.
Há virtudes sobrenaturais e virtudes humanas. Na Igreja Católica, a partir das Escrituras, e por antiga tradição patrística e mística, a teologia cristã distingue:
- as virtudes sobrenaturais ou infusas, que incluem as virtudes teologais;
- e as virtudes humanas, que incluem as virtudes morais e todas as demais.
A virtude sobrenatural é uma qualidade que Deus mesmo infunde na alma, pela qual se tem propensão, facilidade e prontidão para conhecer e praticar o bem, em ordem da vida eterna. As virtudes teologais são sobrenaturais e têm por origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. Os cristãos acreditam que elas são infundidas na pessoa humana através do Batismo. Mesmo uma criança, se estiver batizada, possui as três virtudes, ainda que não seja capaz de praticá-las enquanto não chegar ao uso da razão.
O Catecismo nos ensina que as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) são “o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano”.
Elas são essencialmente sobrenaturais, pois, além de serem dons divinos, dirigem-se a Deus nos seus atos.
O fundamento das três virtudes teologais encontra-se no texto bíblico de 1Cor 13,13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”.
Sem elas, é impossível agradar a Deus ou alcançar a salvação.


A FÉ

A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus.  O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela. Mas "é morta a fé sem obras" (Tg 2,26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.
O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la: "Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja.” (CIC §1814 a 1816)
Peca contra a Fé, principalmente, quem admite dúvidas contra aquilo que aprendemos da Santa Igreja Católica. Hoje é comum ouvir: eu sou católico, mas não acredito nesse ponto ou naquele. Há muitos que não acreditam na Palavra de Deus, que não acreditam no inferno ou no demônio. Outros não creem mais na presença real de Jesus na Eucaristia. Eles escolhem dos dogmas católicos os que lhes convém. É esse  o sentido da palavra heresia: escolher, separar por opiniões próprias.
Mas aqueles que escolhem alguns pontos do Depósito Sagrado e rechaçam outros não têm mais fé, deixam de ser católicos. Isso é muito sério e se explica: o fundamento da Fé não é a evidência científica das verdades reveladas, mas sim o fato de serem reveladas por Deus. É o princípio de autoridade que fundamenta a Fé. Ora, se uma pessoa nega um dos pontos que seja, está recusando a autoridade daquele que revela. Passa a aceitar os demais pontos, não porque Deus é infalível, mas  porque lhe interessa aceitar. A própria pessoa passa a ser o critério da verdade, o que faz dela seu próprio deus. E ela não é mais católica.


A ESPERANÇA

A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. "Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23). 
A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna.
A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provações reservadas aos discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5). (CIC §1817 a 1820)

Meditemos nesse pequeno texto de Santa Teresa de Ávila a respeito da esperança:
“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar.”

Existem dois tipos de pecados contra a virtude da Esperança: a presunção e o desespero.
A presunção consiste em acharmos que podemos possuir a Deus, tanto pela graça (na vida terrena) quanto na vida eterna, sem a ajuda de Deus. É um excesso de confiança que se faz esperar a vida eterna sem usar os meios prescritos por Deus, como a graça e as boas obras.
O desespero consiste em achar que nunca poderemos alcançar a vida eterna, ou que Deus nunca nos perdoará dos nossos pecados. É o exemplo de Caim e de Judas. Isso acontece com frequência em pessoas que passam por muitos sofrimentos e não têm confiança no socorro de Deus.


A CARIDADE

A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: "Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor" (Jo 15,9). E ainda: "Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). §1822 §1823 §1826 §1827 §1828
O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: "A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).
Diz ainda o apóstolo: "Se não tivesse a caridade, nada seria...". E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude... “se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria". A caridade é superior a todas as virtudes. É a primeira das virtudes teologais.
O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vinculo da perfeição" (Cl 3,14.. A caridade assegura e purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à feição sobrenatural do amor divino.
A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do pagamento, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (1 Jo 4,19).
O amor é a rainha das virtudes. Como as pérolas se ligam por um fio, assim as virtudes, pelo amor. Fogem as pérolas quando se rompe o fio. Assim também as virtudes se desfazem afastando-se o amor”. (São Pio de Pietrelcina)


CORREMOS O RISCO DE PERDER AS VIRTUDES TEOLOGAIS?

Uma vez recebidas, as virtudes teologais não se perdem facilmente. A virtude da caridade, a capacidade de amar a Deus com amor sobrenatural, só se perde pelo pecado mortal. Mas mesmo que se perca a caridade, a fé e a esperança permanecem. A virtude da esperança só se perde por um pecado direto contra ela, pelo desespero de não confiar mais na bondade e na misericórdia divinas. E, é claro, se perdemos a fé, perdemos também a esperança, pois é evidente que não se pode confiar em Deus se não se crê nEle. E a fé, por sua vez, perde-se por um pecado grave contra ela, quando nos recusamos a crer no que Deus revelou.
O relacionamento com Deus exige uma ação, uma cooperação de cada um. Não é um amor que só se doa ou que só recebe. É uma via de mão dupla, pois, quanto mais o homem se dá a Deus, mais recebe e quanto mais recebe de Deus, mais quer se configurar a Ele. As virtudes auxiliam no processo de configuração a Jesus Cristo, o homem como Deus sonhou, o homem que amou Deus como Ele quer ser amado, o homem-modelo de todos os homens.
“O fim de uma vida virtuosa consiste em se tornar semelhante a Deus”, como escreveu São Gregório de Nissa.


O PAPA BENTO XVI E AS VIRTUDES TEOLOGAIS

Podemos observar que o pontificado de Bento XVI está diretamente ligado ao incentivo da prática das três virtudes teologais.
- Caridade: Sua primeira encíclica foi intitulada de “Deus Caritas est” (Deus é Amor).
- Esperança: Mais tarde, o Santo Padre lançaria mais uma encíclica, intitulada “Spe Salvi” (Salvos pela esperança).
-: recentemente proclamou que de outubro de 2012 a outubro de 2013, a Igreja viverá o “Ano da Fé”, tempo de aprofundamento acerca dessa virtude.



“Onde não há obediência, não há virtude. Onde não há virtude, não há bem, não há amor; e onde não há amor, não há Deus; e sem Deus não se chega ao Paraíso. Tudo isso é como uma escada: se faltar um degrau, caímos”. (São Pio de Pietrelcina)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Rezar e Amar



"Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.
A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela essa união de Deus com sua criatura! É uma felicidade impossível de se compreender.
Nós nos havíamos tornados indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com Ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.
Meus filhinhos, vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e o torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do Céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sobre os raios de sol.
Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe a sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e - podeis crer! - o tempo não me parecia longo.
Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.
Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que vamos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: "Só tenho duas palavras para Vos dizer e logo ficar livre de Vós...". Muitas vezes penso nisso: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro."

(São João Maria Vianney)