quinta-feira, 19 de abril de 2012

REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (18/04/2012) - Tema: SANTOS INCORRUPTOS


SOMOS DESTINADOS A UM CORPO INCORRUPTÍVEL

Deus disse a Adão: "Com a transpiração de sua face você comerá o pão, até que você volte à terra, pois dela você veio; já que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19). É o castigo para o pecado que todos os homens sofrem. Com o pecado veio a morte, porém, nós católicos...
“Cremos firmemente - e assim esperamos - que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia. [...] A "ressurreição da carne" significa que após a morte não haverá somente a vida da alma imortal, mas que mesmo os nossos "corpos mortais" (Rm 8,11) readquirirão vida. [...] Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus. [...] Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele" ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora"; porém, este corpo será "transfigurado em corpo de glória", em "corpo espiritual"” (Catecismo da Igreja Católica, § 989, 990, 997, 999)
Embora ainda não tenha ocorrido a ressurreição, os corpos incorruptos fazem-nos lembrar Nosso Senhor Jesus, que não conheceu a corrupção física, como que prefigurando de certa forma a futura ressurreição da carne.


OS CORPOS INCORRUPTOS

Segundo a Tradição, o primeiro caso de incorruptibilidade foi o de Santa Cecília, que morreu em 177 e, séculos depois (no ano de 1599), permanecia incorrupta. O primeiro documento que relata um caso de incorrupção data do século IV e narra que Santo Ambrósio havia descoberto o corpo de um mártir, morto havia 200 anos, intacto.
Há duas formas de preservação de um corpo, segundo a ciência: a natural (quando o corpo é preservado devido a condições do solo ou do clima) e a indução (quando são utilizados processos químicos ou técnicas semelhantes). Os casos de incorrupção não se encaixam em nenhuma dessas categorias. É um fato sobrenatural que a ciência não consegue explicar.
Os corpos incorruptos são descobertos em inúmeros e diversificados ambientes. Eles permanecem livres de decomposição independente da forma que foram enterrados... atraso no enterro, temperatura, humidade, bruto/impróprio manuseio do corpo, transferências frequentes, corpos cobertos por quicklime (agente decompositor), ou proximidade a outros corpos já em decomposição e/ou decompostos.
O fenômeno da incorrupção não segue nenhuma regra. Alguns corpos se mantêm intactos até hoje, outros se mantêm por determinado tempo, outros secam lentamente no decorrer dos anos (sem perder as propriedades de incorrupção). Há também casos de incorrupções parciais, onde apenas uma parte do corpo não se decompõe, como coração e língua. As incorrupções parciais até hoje são motivo de espanto até mesmo para cientistas e estudiosos, pois, geralmente, os órgãos que permaneceram intactos são encontrados em meio a cinzas do corpo que já se decompôs.
Devido às mudanças climáticas, muitos dos corpos incorruptos estão perdendo mais rápido a aparência que tinham quando foram exumados. Por conta disso, alguns precisam ser recobertos por finas camadas de cera ou silicone para que os tecidos não escureçam.


ALGUMAS CARACTERÍSTICAS COMUNS DOS CORPOS INCORRUPTOS

- ausência de rigidez cadavérica, inclusive com depressão à compressão de tecidos e flexibilidade corporal, mantendo-se a movimentação passiva de articulações;
Para os cientistas, esse fato é justamente a característica mais intrigante, pois, as múmias, por exemplo, mesmo conservadas por séculos, apresentam tecidos e órgãos endurecidos.
- desprendimento de agradáveis perfumes, inclusive propagando-se para todo o ambiente;
- temperatura corporal correspondendo à do ambiente;
- tonalidade rósea da pele;
- desprendimento espontâneo de uma espécie de óleo, com aspecto comparável ao de óleo vegetal, ou de outros líquidos, como água, e de sangue, inclusive sangue com aspecto de recentemente coagulado;
- sangramentos produzidos por incisões (cortes).


EXEMPLOS DE SANTOS INCORRUPTOS

Santa Catarina Labouré


Faleceu no ano de 1876 e ficou conhecida pelas vezes em que Nossa Senhora das Graças lhe apareceu. Santa Catarina foi exumada 57 anos depois de sua morte e as monjas de seu convento encontraram-na totalmente incorrupta. Há relatos de que várias das monjas desmaiaram durante a exumação de Catarina, pois ela tinha o aspecto de uma pessoa viva e seus olhos azuis estavam mais lindos que nunca.

São Pio de Pietrelcina


O corpo de São Pio foi exumado em San Giovanni Rotondo, sul da Itália, em março de 2008, quarenta anos depois de sua morte. São Pio conserva a barba, as sobrancelhas, as unhas, os joelhos e os tecidos em bom estado e seus restos mortais não apresentam mau cheiro. Seu rosto foi coberto por uma máscara de silicone. Mais de 5,5 milhões de fiéis de todo o mundo, inclusive o papa Bento XVI, visitaram o sarcófago de vidro de São Pio durante o período em que ficou exposto para veneração.

Santa Rita de Cássia

Após ouvir uma pregação sobre a Paixão de Cristo,  pediu a Jesus que pudesse compartilhar seus sofrimentos em favor da conversão dos pecadores. Tendo seu pedido atendido, recebeu um espinho na fronte que lhe causou uma repugnante ferida, da qual exalava um odor pútrido acompanhado por pus que a obrigou a viver isolada das outras monjas pelo resto da vida.
Em 1457, quando veio a falecer, a ferida desapareceu e em seu lugar surgiu uma mancha vermelha como um rubi, que exalava uma deliciosa fragrância que perdura até os dias atuais. Por conta deste admirável perfume, Santa Rita nunca foi enterrada. Hoje, seu corpo se encontra incorrupto, exposto em um sarcófago de cristal no Santuário Mosteiro de Santa Rita de Cássia, na Itália.
Há registros de que, por diversas vezes, o corpo de Santa Rita já abriu e fechou os olhos, mudou de posição no sarcófago, mexeu pés e mãos e até mesmo levitou. Uma das levitações ocorreu no ano de 1730, durante um terremoto, que assolou algumas cidades da Itália, mas não causou nenhum mal à cidade de Cássia.

Santa Bernadette Soubirous


Santa Bernadete teve visões de Nossa Senhora em Lourdes, na França. Morreu em 1879. Seu corpo foi exumado 30 anos mais tarde, em 1909, e foi descoberto completamente incorrupto e livre de qualquer odor. Seu corpo foi novamente exumado uma segunda vez 10 anos mais tarde e se encontrava ainda incorrupto.

Santa Catarina de Bolonha


Morreu em 1463 e se encontra incorrupta e em exposição por mais de 500 anos em posição sentada. A cada dois anos é realizado um exame raio X que comprova a integridade de sua coluna vertebral.

Língua de Santo Antônio

Santo Antônio foi um exímio pregador da Palavra de Deus. Sendo assim, trinta e dois anos após sua morte, São Boaventura encontrou, dentre ossos e cinzas, a língua e as cordas vocais do santo completamente conservadas, como de uma pessoa viva. Na biografia de Santo Antônio se encontram as palavras pronunciadas pelo ministro-geral do mosteiro, quando se deparou com a língua incorrupta: "Ó língua bendita, que sempre bendisseste o Senhor e fizeste que também os outros o bendissessem sempre; pela tua conservação se compreende bem qual o teu mérito diante de Deus".
Um segundo reconhecimento foi realizado em 1981, por ordem do papa João Paulo II. A língua de Santo Antônio permanece intacta (mudou apenas de cor, pois escureceu) e é uma das relíquias mais visitadas pelos católicos de todo o mundo. Está guardada num relicário e se encontra hoje na Basílica de Santo Antônio de Pádua, na Itália.

Sangue de São Januário

O jovem bispo, São Januário, foi perseguido no tempo do imperador Diocleciano (por volta do ano 305), que, depois de várias tentativas frustradas de matá-lo, ordenou que fosse decapitado. Os cristãos da época recolheram duas ampolas do sangue que jorrava da cabeça de São Januário. Dez anos depois, entregaram as ampolas com o sangue do mártir ao bispo de Nápoles, cidade italiana próxima de onde vivia o santo.
A partir daí, começaram os registros do milagre que se repetiria no decorrer dos anos, até a atualidade: três vezes por ano, o sangue de São Januário, conservado em estado sólido nas ampolas, de repente se transforma em líquido novamente. Como se não bastasse, chega a borbulhar, muda de coloração (de negro para vermelho vivo) e apresenta variações de peso e volume.
Desde 1659, estão registrados mais de dez mil ocasiões em que o milagre se repetiu.


A VENERAÇÃO DOS CORPOS DOS SANTOS

"Os corpos dos mártires sagrados e outros que vivem agora com Cristo; corpos que eram seus membros e templos do Espírito Santo, que um dia subirão para Ele e serão glorificados na vida eterna, podem ser venerados pelos cristãos. Deus dá muitos benefícios aos homens através deles." (Concílio de Trento)



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